Foco de escorpiões raros na Ceasa

A descoberta de um foco de escorpião amarelo na Ceasa/RS após um atacadista ter sido picado ao descarregar caixas com hortigranjeiros provocou apreensão entre funcionários da estatal. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) da Secretaria Estadual de Saúde esteve no local nesta semana e coletou 15 exemplares que serão enviados ao Instituto Butantan (SP) para pesquisa e produção de soro. Endêmico no Sudeste e Centro-Oeste do país, o animal peçonhento pega carona em carregamentos que circulam por essas regiões, que enviam ao RS cargas de cebola e batata.

A espécie é considerada caso de saúde pública porque se adapta facilmente ao novo ambiente, se prolifera com rapidez e se reproduz sozinha. De acordo com a bióloga Cynthia Silveira, da Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde do CEVS, a coleta é parte da política de vigilância do Ministério da Saúde e inexistem parâmetros para avaliar se o caso é de infestação. Ela recomenda como única forma de controle a captura. ‘Diferente dos insetos como o Aedes aegypti, aracnídeos não podem ser controlados quimicamente. O inseticida funciona como desalojante. O animal se irrita e sai de onde estiver, e, aí sim, o problema é maior.’

Apesar de registrado um caso com o mesmo tipo de escorpião em 2007, a Ceasa não tem um plano de manejo, o que deve acontecer agora, após o novo episódio. Segundo a bióloga, a intenção é desenvolver uma capacitação na Ceasa com esta finalidade. As centrais acabam sendo um prato cheio para escorpiões pela concentração de resíduos orgânicos, lixo e entulhos, como madeira e palha.

Os animais coletados estavam em caixa subterrânea por onde passam tubulações. O presidente da Ceasa/RS, Paulino Donatti, está tranquilo. ‘Houve essa incidência, mas não é nada alarmante.’

O escorpião mais comum no Estado é o preto, cuja picada causa os mesmos efeitos que de uma abelha, dor e edema. Segundo o Centro de Informações Toxicológicas, o primeiro registro do escorpião amarelo no Estado foi em 2001. De lá para cá, ele apareceu em Estância Velha, Uruguaiana, São Gabriel, Rosário do Sul e Porto Alegre. Neste ano, dos 126 acidentes com escorpiões no RS, nove referem-se à espécie. Em casos graves, ele pode causar edema pulmonar, taquicardia e, inclusive, morte. O tratamento tem de ser feito com soro. Crianças e idosos são os mais vulneráveis.

Diferenças entre espécies

Amarelo (Tityus serralatus)

– A reprodução é por partenogênese, ou seja, a fêmea não precisa do macho para procriar;

– Cada fêmea origina até 40 novos indivíduos por ano em condições de laboratório;

– Gosta de ambientes úmidos e escuros e se alimenta de insetos, como a barata.

Preto (Bothriurus banariensis)

– É a espécie comum no Estado;

– Tem coloração escura e patas castanhas;

Cuidados:

– Tape bueiros

– Use telas de proteção em ralos e janelas

– Evite o acumulo de lixo.

Fonte: CIT/CEVS

Fonte: Correio do Povo

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