Fixação do preço da gasolina afasta investimentos privados no etanol

Presidente Empresa de Pesquisa Energética rebate ressaltando o caráter inflacionário do combustível fóssil

por Juliana Malacarne | Edição: Alana Fraga

Ormuzd Alves

Os investimentos do governo no setor para fortalecer o etanol somam cerca de R$ 11,5 bilhões

A manutenção artificial do preço da gasolina no país é um dos entraves que dificultam investimentos privados no mercado brasileiro de etanol. “O principal fator que afasta os investidores desse mercado (etanol) é a impossibilidade de prever se o preço da gasolina vai subir”, destacou o presidente do grupo Cosan, Marcos Lutz, durante o seminário “Brasil Alimentos e Energias, Seguranças Globais”, realizado pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), na segunda-feira (6/8), em São Paulo (SP).
Maurício Tomalsquim, presidente da EPE (Empresa dePesquisa Energética), rebateu as críticas afirmando que a gasolina tem um alto potencial inflacionário e que deixar seu preço variar no Brasil de acordo o mercado mundial poderia provocar um aumento generalizado. Além disso, ele ressalta que o etanol já tem incentivos fiscais mais favoráveis. Enquanto os impostos sobre a gasolina chegam a 40% na hora da venda ao consumidor final, as cargas tributárias do etanol são de 27%.
Tomalsquim ressaltou ainda os investimentos do governo no setor para fortalecer o etanol somam cerca de R$ 11,5 bilhões, disponíveis por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento). “O problema, para o BNDES, está sendo emprestar este dinheiro, pois muitos dos produtores não atendem aos critérios mínimos porque estão endividados ou não respeitam a legislação ambiental”, afirmou.
Atualmente, o etanol é mais competitivo que a gasolina em apenas três estados do Brasil, Goiás, Mato Grosso e São Paulo, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados nesta semana. Segundo Lutz, a falta de competitividade do etanol atualmente se deve aos altos custos que envolvem sua produção como terras, mão de obra e insumos.
Biodiesel

O biodiesel ainda não é um produto sustentável e competitivo como o etanol, segundo Tomalsquim, pois 80% do produto ainda é derivado da soja, grão valorizado no mercado internacional. “Seriam necessários mais subsídios para os produtores investirem no biodiesel ao invés de apostarem no grão, e isso ainda não é um cenário próximo”, disse.

Fonte: Globo Rural

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