Fitch vê cenário negativo para frigoríficos este ano

A agência de classificação de risco Fitch divulgou ontem um relatório em que apresenta um cenário negativo para o rating das processadoras de carnes no Brasil. Os analistas da agência destacaram a preocupação com os altos custos de produção e os níveis de alavancagem dessas companhias.

Atualmente, a Fitch atribui nota "BBB-" (grau de investimento) para as emissões em moedas local e estrangeira da BRF; "BB-" (grau especulativo) para as da JBS e "B+" (grau altamente especulativo) para as de Marfrig e Minerva Foods. Na escala do rating nacional de longo prazo, a Fitch dá nota "AA" e "A-" para BRF e JBS, respectivamente, e "BBB+" para as empresas Marfrig e Minerva.

Em agosto de 2012, A Fitch revisou, de "estável" para "negativa", a perspectiva para as notas de JBS, BRF e Marfrig. A Minerva Foods mantém uma perspectiva "estável".

Segundo a Fitch, os custos com ração de soja e milho para a produção de aves e suínos devem continuar "relativamente altos" neste ano, mantendo pressionadas as margens de Marfrig e BRF, no Brasil, e da JBS nos Estados Unidos.

Em contrapartida, o ciclo favorável da pecuária brasileira (com aumento da oferta de animais para abate) e a forte demanda internacional devem manter o cenário favorável para a produção de carne bovina – o que beneficia particularmente a Minerva Foods, que atua apenas nesse segmento.

A Fitch avalia ainda que, com a exceção da Minerva, os níveis de alavancagem dos frigoríficos brasileiros tendem a se manter em patamares elevados para as suas respectivas notas de rating. "Os níveis de dívida absoluta devem se manter inalterados ou crescer marginalmente em 2013 devido a uma geração de caixa livre em grande parte neutra esperada para a indústria", afirmam os autores do relatório.

A agência projeta, ainda, que a melhora do Ebitda (lucro antes de juros, impostos e amortizações) e das margens de lucro "não será suficiente para reduzir as métricas de alavancagem para os níveis apropriados às categorias de rating" em que cada empresa está enquadrada. Na ótica da Fitch, a volatilidade dos custos de produção e das taxas de câmbio pode retardar o processo de desalavancagem da indústria.

Até 30 de setembro, o nível de alavancagem (medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda) estava em 3,1 vezes para a BRF, 3,7 vezes para a JBS, 3,8 vezes para a Minerva e 5,2 vezes para a Marfrig. A agência calcula que, contabilizadas as emissões de ações realizadas em dezembro, Marfrig e Minerva apresentariam níveis de alavancagem mais baixos, de 4,6 e 2,7 vezes, respectivamente.

A Fitch avalia ainda que a geração de caixa livre continua a ser um problema para as processadoras brasileiras. Em 2013, prevê, a Marfrig será afetada por ineficiências e elevadas exigências de capital de giro relacionadas à integração dos ativos recebidos da BRF.

A JBS também deverá demandar mais capital de giro devido à expansão da operação de carne bovina no Brasil. "Se o lucro líquido de 2012 for positivo, como a Fitch espera, a JBS pode ter de pagar um dividendo de pelo menos 25%, o que poderia reduzir a geração de caixa livre", ressaltam as analistas. A companhia não paga dividendos há três anos.

A agência avalia ainda que a BRF pode ter seu fluxo de caixa prejudicado pela baixa rentabilidade das operações domésticas. Segundo a Fitch, a companhia deve enfrentar uma maior competição no mercado doméstico, o que pode limitar seu esforço em recompor margens.

Em contrapartida, a Minerva Foods deve apresentar uma maior geração de caixa, "que deveria ser reinvestida em capex e aquisições para aumentar sua base de produção e diversificação geográfica e de produto", avaliam os analistas da Fitch.

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo

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