Fiscais aguardam segunda fase da Operação Carne Fraca

A Polícia Federal pode deflagrar a qualquer momento uma segunda fase da Operação Carne Fraca, que, há quase um ano, revelou um esquema de corrupção entre fiscais federais e funcionários de frigoríficos. Conforme apurou o Valor, novamente as investigações partem da Superintendência da PF no Paraná, Estado que concentrou denúncias de pagamentos de propinas de empresas do setor a fiscais do Ministério da Agricultura na operação deflagrada em março de 2017. Entre as empresas investigadas na primeira fase estavam JBS e BRF, entre outras.

A expectativa entre fiscais é que a nova fase da operação venha à tona nos próximos dias ou semanas. "Certamente haverá mais uma fase, em mais de um Estado", afirmou uma fonte. A avaliação de fontes do ministério é que uma nova rodada de investigações pode gerar ainda mais desconfiança em relação às carnes brasileiras entre importadores.

A operação do ano passado suscita até hoje dúvidas em relação ao sistema de inspeção sanitária, com questionamentos à carência de pessoal para fiscalização e à falta de punições mais duras para desvios de condutas. Em boa medida por causa da operação, os mercados de carnes da Rússia e o de pescado da União Europeia estão fechados até hoje para o Brasil. Além disso, Hong Kong ameaça restringir a importação de carnes bovina e suína do país a uma lista menor de frigoríficos.

Diferentemente do que aconteceu no ano passado, fontes do Ministério da Agricultura afirmam que, desta vez, funcionários da Pasta vêm "trabalhando junto" e sendo consultados pela PF para informações e dúvida técnicas.

Dois dias depois do anúncio da operação em 2017, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, chegou a fazer críticas "à narrativa" da PF na frente do então diretor-geral da instituição, Leandro Daiello. A queixa de Blairo era de que as investigações geraram medo na população, insinuando que as carnes produzidas no Brasil eram adulteradas e ofereciam danos à saúde.

Procurado na sexta-feira para falar a respeito da nova operação, Blairo disse que não tem "qualquer informação" sobre o assunto.

A Carne Fraca investigou 21 estabelecimentos suspeitos, a maior parte processadores de carnes de frango e bovina. Mas também havia entre eles fabricantes de lácteos, farinhas e gelatina. Todos foram impedidos de exportar pelo Ministério da Agricultura, mas vários países se anteciparam e declararam embargos temporários, a exemplo de China e UE. À época, 33 servidores foram afastados, seis frigoríficos interditados e lotes de várias marcas de carne e embutidos retirados das gôndolas.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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