Financiamento próprio eleva poder de produtor – Vaivém

Vaivém

Dois anos de bons preços fizeram diferença para o bolso dos produtores.

Mesmo com a quebra de safra deste ano, devido à seca, o produtor chega ao fim da safra com receitas em várias partes do país.

"O agricultor não tem muito do que reclamar", diz Sérgio Pitt, economista e produtor agrícola há duas décadas no oeste da Bahia.

Mas ele alerta: "Já que não podemos mudar os rumos das questões macroeconômicas, temos de olhar seriamente para nossos custos e aumentar a busca pela produtividade."

Pitt diz que os produtores aprenderam muito nos últimos anos e sabem que agora não é hora de arriscar. Um passo em falso e os custos elevados podem trazer sérios prejuízos, diz.

O economista, que optou por ser agricultor na até então inóspita terra do oeste baiano, diz que alguns passos importantes foram dados.

Um deles foi a busca por uma independência nos financiamentos. Há poucos anos, as indústrias de insumos eram responsáveis pelo fornecimento de 50% do crédito que os produtores recebiam.

INDEPENDÊNCIA

Com isso, vendiam na hora estipulada pelas empresas, que também definiam as margens dos produtores. Hoje, somente 25% do crédito vem do setor industrial e são os produtores que decidem a hora de vender grande parte de sua produção.

Os bancos entram com 28% dos financiamentos, mas como a inadimplência está abaixo de 1% no setor no oeste baiano, são essas instituições que procuram os agricultores. Mais uma vez, o produtor acaba interferindo nas negociações.

Estabilizado e com produtividade em elevação, o agricultor da região conseguiu aumentar a renda e atualmente participa com 47% de seu financiamento.

Vice-presidente da Aiba (associação de agricultores da região), Pitt diz que os produtores geram excedente de GRÃOS e permitem redução de custos dos alimentos no Nordeste, antes dependente à oferta de outras regiões.

Médio produtor O Plano Safra 2012/13, que deve ser anunciado na primeira quinzena de julho, vai privilegiar o agricultor de médio porte, disse José Carlos Vaz, secretário-executivo do Ministério da Agricultura.

Novo estímulo Com o cenário de queda dos juros, taxas subsidiadas devem começar a dar lugar a novos instrumentos de apoio ao produtor, como apoio à pesquisa e assistência técnica. Mais capitalizado, o agricultor está menos dependente do governo, diz Vaz.

Para a propriedade O novo Plano Safra deve ter também crédito para a propriedade rural, e não apenas ao produto, como ocorre normalmente.

Programas "Nós não estamos chegando ao produtor. Precisamos discutir caminhos", afirma Caio Rocha, secretário de Política Agrícola do ministério. "O tempo do governo tem de ser o tempo do produtor", complementa Rocha.

Mais algodão A produção brasileira de algodão deve subir 4% na safra 2012/13, para 1,97 milhão de toneladas, segundo estimativa da consultoria Safras & Mercado. Mas possíveis impactos da seca na produção baiana podem alterar esse número, pondera o analista Élcio Bento.

Líder O milho liderou as quedas dos produtos agrícolas ontem em Chicago: menos 5,7%.

DE OLHO NO PREÇO

COTAÇÕES

Chicago Soja (US$ por bushel)13,82

Milho (US$ por bushel)5,97

Mercado interno Frango (R$ por quilo)1,70

Suíno (R$ por arroba)44,60

Fonte: FOLHA DE S. PAULO – SP MAURO ZAFALON – mauro.zafalon@uol.com.br

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