Fim do fator volta à cena

Quatro meses depois do chamado Dia Nacional de Lutas – quando diversas cidades ficaram com cara de feriado devido à paralisação do transporte público –, as centrais sindicais voltam hoje às ruas para pressionar o governo por reivindicações não atendidas.
A diferença é que desta vez a mobilização não deve ser tão intensa quanto a do dia 11 de julho e a pauta tem como principal item o fim do fator previdenciário. Na Capital, o ato ocorrerá a partir das 9h, em frente ao terminal Mercado Público do trensurb, próximo ao prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Com a popularidade abalada pelas manifestações de junho, o governo federal acabou cedendo à época e abriu negociações com as centrais para elaborar uma proposta de substituição do fator previdenciário, fórmula criada para desestimular as aposentadorias precoces, mas que se tornou sinônimo de redução nos benefícios.
Após um encontro em 21 de agosto, o Palácio do Planalto prometeu uma proposta no prazo de 60 dias – que nunca chegou. Com degradação das contas públicas – poderiam piorar com o fim do fator – e a aproximação do ano eleitoral, o governo acena agora que não voltará ao tema durante o mandato de Dilma Rousseff.
– Vamos pressionar pelo fim do fator ou substituição por outro que corrija (distorções) – diz Claudir Nespolo, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado.
Para Cristiano Noronha, vice-presidente e sócio da consultoria Arko Advice, a postura do governo tem relação com a piora das contas públicas e lembra que o Planalto tem se mostrado cauteloso em relação a projetos com potencial de forte impacto fiscal. O déficit previsto para a Previdência passou de R$ 36,2 bilhões, em setembro, para R$ 43 bilhões.
Autor da proposta para acabar com o fator previdenciário, o senador Paulo Paim (PT) disse ter sido surpreendido com a informação de que o governo jogaria a discussão para 2015.
– Em uma reunião com a presidente dois meses atrás, ela falou em construir uma alternativa para o fim do fator – relata Paim.
Para Istvan Kasznar, coordenador do núcleo de estudos da saúde, previdência e assistência social da Fundação Getulio Vargas (FGV), faz sentido adiar a discussão. Tanto devido ao desequilíbrio financeiro da área quanto pelo lado político-eleitoral.

Fonte : Zero Hora | Caio Cigana

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