FIM DO EMBARGO | Rússia libera carne brasileira, mas vendas ficam para 2013

Frigoríficos terão de aguardar regras de equivalência e hablitações para realizar novos embarques

Depois de uma longa novela, que se arrastou por um ano e cinco meses, o embargo russo às carnes brasileiras chegou ao fim. Mas apesar da reabertura do mercado, novos embarques devem ocorrer só a partir do primeiro semestre de 2013, depois de definidas regras de equivalência sanitária e a autorização das habilitações para exportação.
Adecisão do maior comprador de carnes suínas e bovinas do Brasil, anunciada pelo Ministério da Agricultura, ontem, em Brasília, beneficia especialmente as indústrias e os produtores gaúchos. Segundo levantamento da Fundação de Economia e Estatística (FEE), de junho de 2011 a setembro deste ano, o Estado perdeu US$ 454,3 milhões com o embargo.
– O Rio Grande do Sul, em particular, é o Estado que mais exportava carne suína para a Rússia, portanto, foi o mais prejudicado. Além disso, depois teve as dificuldades com a Argentina e o aumento do custo de produção por conta da quebra de safra de milho – destacou o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto.
A restrição para a venda de carne suína, bovina e de aves atingia os Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso. Na última sexta-feira, o comunicado sobre o fim do embargo foi feito ao embaixador do Brasil em Moscou, Carlos Antonio da Rocha Paranhos, e ao secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques Pereira, durante encontro com o chefe do serviço sanitário da Rússia, Sergei Dankwert.
Para que a retomada das exportações aconteça na prática, cada frigorífico terá de cumprir um plano de ação se comprometendo a seguir as normas russas. E a partir do dia 15 de dezembro, todos os lotes de carne deverão ser acompanhados de declaração confirmando a ausência do uso de hormônio de crescimento.
Outros mercados compensam perdas, sustenta o governo
No mês de janeiro, representantes dos dois países voltam a se encontrar para debater as regras sanitárias.
– As indústrias têm de cumprir um plano de ação. E os pontos em que as exigências não são cumpridas serão assinalados em um documento a ser enviado para o governo da Rússia para que avaliem se aceitam ou não essas condições – explicou Marques.
Mesmo com o prejuízo das restrições russas, o Ministério da Agricultura sustenta que outros mercados compensaram as perdas de arrecadação. Levantamento da pasta indica que entre janeiro e outubro a receita nas exportações de carnes foi de US$ 12,98 bilhões ante US$ 12,96 bilhões do mesmo período de 2011.
daniela.castro@gruporbs.com.br

nestor.junior@zerohora.com.br

DANIELA CASTRO E NESTOR TIPA JÚNIOR

Fonte Zero Hora

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