Fiergs projeta perdas de até R$ 10 bilhões

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Heitor Müller: "Quebra da safra de soja e milho afeta toda a cadeia agroindustrial

Para a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), a irradiação dos efeitos da seca poderá significar uma perda de até R$ 10 bilhões para a economia gaúcha, o dobro do valor da safra perdida (quando comparada com o ciclo anterior) e o equivalente a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado em 2011. Já o desempenho da indústria poderá cair, no limite, 11%, influenciado, além da estiagem, pela conjuntura desfavorável formada pela desaceleração da economia mundial e pela manutenção do real valorizado, diz o presidente da entidade, Heitor José Müller.

"A quebra da safra de soja e milho afeta diretamente toda a cadeia agroindustrial, como os segmentos de biodiesel, de óleo de soja, de suínos e de frangos", diz ele. Conforme Müller, a arrecadação total do Estado também deverá sofrer um impacto negativo de R$ 1,2 bilhão no ano em função da queda da compra e venda de mercadorias no campo e nas cidades e da redução do nível de atividade do setor de serviços. A estimativa supera de longe a projeção perda de R$ 200 milhões brutos em ICMS feita pela Secretaria da Fazenda.

A seca também levou a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado (Fecomércio-RS) a rever de 5% para 4% a 4,5% a previsão de crescimento do volume de vendas do comércio varejista no Estado neste ano. Em 2011, conforme o IBGE, a expansão do setor no Rio Grande do Sul foi de 6,1%.

Segundo a economista da entidade, Patrícia Palermo, a previsão inicial de desempenho para 2012 já era menor devido à esperada desaceleração da economia e da criação de empregos em todo o país. "Mas aí veio a seca, que terá mais efeitos negativos sobre o comércio." De acordo com ela, a abertura de postos de trabalho no setor no Estado este ano também deverá ficar abaixo das 29,9 mil novas vagas criadas no ano passado.

A desaceleração das vendas do comércio só não será maior, entende Patrícia, devido à perspectiva de manutenção da trajetória descendente dos juros. A decisão do governo de reduzir a taxa Selic serve de estímulo ao consumo, mas uma visão mais clara do impacto dos fatores que puxam o desempenho do setor para lados contrários só será possível nos próximos dois a três meses, acredita a economista.

Segundo ela, nas regiões mais atingidas pela seca no Estado e ao mesmo tempo mais dependentes da agricultura é possível estabelecer três níveis de impacto da estiagem sobre o comércio. Entre os segmentos considerados "críticos" estão as concessionárias de automóveis e as lojas de móveis, eletrodomésticos, colchões, joias e relógios, que devem apresentar queda de vendas em relação a 2011.

Já os ramos sujeitos a um impacto "moderado", que deverão registrar taxas de crescimento das vendas menores que no ano passado, incluem vestuários, calçados e materiais de construção. Por fim, entre as atividades "pouco afetadas", que devem manter o mesmo ritmo de expansão, estão alimentos, medicamentos e combustíveis, explica Patrícia. (SRB)

Fonte: Valor | Por De Porto Alegre

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