Fetag defende cautela em meio a otimismo por safra

Custos de produção podem prejudicar rentabilidade dos produtores

Uma safra cheia e um recorde de colheita que se avizinha são motivos de otimismo para os agricultores familiares. No entanto, este sentimento não pode ser confundido com euforia. Esta foi a avaliação dos dirigentes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag) durante encontro com a imprensa nessa sexta-feira, em Porto Alegre.

A premissa da entidade é que, mesmo com o anúncio de uma safra gaúcha que deve ultrapassar as 30 milhões de toneladas, itens do custo de produção como combustíveis, fertilizantes e defensivos agrícolas também apresentaram aumentos significativos de preços, o que compromete a rentabilidade do setor. “Os preços são estáveis, mas precisamos tomar as precauções. O agricultor tem que ter calma nos investimentos”, destaca o presidente da Fetag, Elton Weber.

Mesmo com um ano bom e alguns avanços nas políticas para a agricultura familiar, a Fetag ainda avalia que alguns temas não tiveram avanços. Apesar do aumento de recursos no Plano Safra para os pequenos produtores, temas como o seguro rural e o Programa de Garantia de Preços ficaram estagnados em 2013. “Esperávamos que tivéssemos avançado nesses quesitos”, salienta Weber. Outro ponto de protesto da Fetag em 2013 foi em relação ao crédito fundiário, que gerou mobilizações da entidade ao longo do ano. Segundo Weber, o programa do governo federal ficou paralisado por oito meses, e nos quatro restantes foi atendida cerca de 30% da demanda apenas.

“É preciso que para o próximo ano seja atendida a demanda que já existe, além da realização de modificações no programa. Temos que fazer adequações no projeto”, reforça.

A estimativa da entidade é que pelo menos 48% dos contratos sejam de jovens de até 32 anos. Este tema também faz parte da questão da sucessão rural, que será uma das bandeiras da entidade em 2014. Neste quesito, entra também a busca de soluções para melhorar a infraestrutura no campo, como energia elétrica e telefonia.

Os dirigentes também lembraram com preocupação a ação que retira o status de filantropia da Emater do Rio Grande do Sul.  Para Weber, a decisão da Justiça é totalmente contrária ao que o governo federal executa quando pede investimentos em assistência técnica e extensão rural, inclusive com a criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater). “Isto é totalmente o contrário do que está se tentando construir para o setoer. Não dá para nem mensurar o prejuízo para a agricultura familiar”, ressalta.

Fonte: Jornal do Comércio | Nestor Tipa Júnior

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *