Fetag comemora 50 anos em evento que reuniu cerca de três mil agricultores no Rio Grande do Sul

Melhoria da renda, sucessão familiar, políticas para a juventude e assistência técnica são as principais bandeiras para o movimento dos trabalhadores atualmente

Gisele Neuls | Esteio (RS)

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Fetag comemorou 50 anos em evento no Rio Grande do Sul

A Fetag, uma das primeiras federações de trabalhadores da agricultura do país, comemorou 50 anos neste domingo, dia 6, com um grande evento em Esteio, no Rio Grande do Sul. Cerca de três mil agricultores de todo o Estado estiveram presentes no Parque de Exposições Assis Brasil para celebrar cinco décadas de conquistas para uma categoria composta por mais de quatro milhões de famílias em todo o país.

Segundo os dados do último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agricultura familiar responde por 84% dos estabelecimentos rurais do Brasil que produz, em 80 milhões de hectares, um terço da receita agropecuária do país. Um setor importante para a produção de alimentos do país que, nas últimas décadas, organizou-se e conquistou diretos importantes, como a aposentadoria rural e a ampliação do acesso ao crédito.

– Nós precisamos manter essas conquistas que já obtivemos e melhorá-las. Crédito, por exemplo, nós temos suficiente, mas precisamos melhorar a garantia de renda – aponta Elton Roberto Weber, presidente da Fetag-RS.

Para a safra 2012/2013, o montante de crédito rural contratado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foi de cerca de R$ 19,2 bilhões, com mais de 2,2 milhões de contratos efetivados. Segundo o ministro interino do Desenvolvimento Agrário, cerca de 30% destes recursos foram acessados no Rio Grande do Sul. Um dado otimista, mas que ainda massivamente acessado pelos homens. Para a coordenadora estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais, Inque Schneider, esta é uma das lutas que as mulheres ainda precisam ampliar.

– Ainda é o homem que pega o Pronaf e não sobra espaço para as mulheres acessarem para incrementarem sua produção agroindustrial e de artesanatos. Políticas públicas nós temos, agora a gente precisa buscar acessar mais essas políticas. Para sua participação, as mulheres precisam se organizar mais e buscar mais o seu espaço.

Juventude rural

O presidente da Fetag-RS, Elton Weber, afirma que a manutenção das conquistas dos trabalhadores é um dos grandes desafios para as próximas décadas, bem como as preocupações com temas cruciais neste momento como sucessão, sustentabilidade e infraestrutura no meio rural.

– Precisamos ainda melhorar as estruturas de informação, acesso ao conhecimento, internet, acesso à luz. Queremos estar no campo produzindo comida com qualidade de vida, e não engrossar os cinturões de miséria nas cidades – diz Weber.

Esta é também uma das grandes preocupações dos jovens do meio rural. Para permanecerem no campo, com qualidade, eles querem mais acesso à comunicação, informação e tecnologia. Já existem políticas públicas voltadas para a juventude rural, como o Pronaf Jovem, ampliação das escolas técnicas e investimentos em educação rural através das Escolas Família Agrícola (EFA), nas quais os jovens alternam temporadas na escola com temporadas de trabalho e estudo nas suas propriedades. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) entre 1991 e 2011, o número total de matrículas nas áreas de produção agrícola e pecuária cresceu 231% em todo o país. Mas o acesso ainda é limitado, como diz Diana Hanjusto,Coordenadora Regional de Jovens da Fetag-RS.

– Essas políticas são importantes, mas hoje a gente sente muita dificuldade no campo ainda com relação à questão de tecnologias, como o acesso à internet que ainda é muito precário. Tem lugares que a gente não tem nem sinal telefônico – aponta Diana.

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Assistência técnica

E não é somente o acesso a telecomunicações que os agricultores familiares demandam. A assistência técnica para garantir uma agropecuária com menos impactos ambientais e maior produtividade e renda foi um tema presente em quase todos os discursos na manhã deste domingo, em Esteio. Uma demanda de luta da agricultura familiar que está perto de ser atendida pela Agência Nacional de Assistência Técnica, cuja proposta de criação foi aprovada pela Câmara dos Deputados e agora aguarda a apreciação no Senado, mais de 20 anos depois da extinção da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater).

– Hoje nós já temos R$ 600 milhões de investimento e o orçamento deste ano é de R$ 830 milhões. A agência vai desenvolver um trabalho em parceria com os Estados, as prefeituras e as entidades. Para isto, estamos prevendo um orçamento de mais de R$ 1 bilhão em assistência técnica a partir do ano que vem – afirmou Laurindo Müller, ministro interino do Desenvolvimento Agrário, que esteve presente no evento.

Também presentes no evento o governador do Estado Tarso Genro, o deputado federal Nelson Marchezan Júnior (PMDB/RS), o deputado estadual Heitor Schuch (PSB/RS), o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) Alberto Broch, entre outras autoridades. Na comemoração, foi lançada uma revista com o balanço dos 50 anos da Fetag em um vídeo comemorativo à data.

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RURALBR

Fonte: Ruralbr

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