Fertilizantes seguem curva de crescimento

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David Roquetti, da Anda: "Se estimativas se concretizarem, teremos mais um recorde de entregas de fertilizantes"

Produtor capitalizado e a busca por maior produtividade devem garantir um crescimento do mercado de fertilizantes superior a 2% neste ano, mantendo a tendência histórica de alta.

A desvalorização do real frente ao dólar pesa nas importações dos insumos, mas garante melhor resultado nas exportações de grãos. A observação é de analistas e entidades do setor de fertilizantes, como a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

Segundo a entidade, o crescimento foi de 3,3% nas entregas de fertilizantes entre o acumulado de janeiro a novembro de 2018 em relação a igual período do ano anterior. Embora não faça estimativas, a Anda cita consultorias e bancos, como o Rabobank e a MacroSector, que projetam incremento de 1,5% a 2,5% em 2019 sobre o ano passado. "Se estas estimativas se concretizarem, teremos mais um recorde de entregas de fertilizantes", diz David Roquetti Filho, diretor executivo da Anda.

Floris Bielders, vice-presidente comercial da Mosaic Fertilizantes, aposta em no número mais modesto: 1,5%. "Apesar da taxa ser menor que 2018, devido à maior pressão pela rentabilidade de algumas culturas, o setor tende a continuar crescendo, devido à capitalização dos produtores nos últimos anos e à rentabilidade positiva das culturas que mais consomem fertilizantes", diz, citando a soja, milho, trigo, cana-de-açúcar e algodão.

Em sua opinião, alguns fatores, como a taxa de câmbio, deverão ditar o comportamento de compras. "A desvalorização do real onera o custo de produção, mas, ao mesmo tempo, traz uma maior rentabilidade, principalmente para a exportação", prevê. Outro fator que deve ser considerado, ressalta Bielders, é a disponibilidade de crédito e a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que também influencia todo o cenário.

Líder no ramo, com 25% de market share, a norueguesa Yara Brasil, projeta em um cenário de boa rentabilidade, com a desvalorização do câmbio garantindo receitas reais. "A relação de troca é a rentabilidade do agricultor. Boa parte das culturas brasileiras tem um foco de exportação e, se o ganho se mantiver como os atuais, nos dá a certeza que teremos bons negócios em 2019", afirma Cleiton Vargas, vice-presidente de vendas e marketing da Yara Brasil.

"O mercado brasileiro tem registrado crescimento histórico entre 2% e 3% ao ano e a Yara acompanha a taxa Não acredito em um mercado menor neste ano", diz o executivo. Caso a projeção se confirme, as entregas devem somar 35,5 milhões de toneladas.

Um reflexo da importância do segmento é a duplicação e modernização do Complexo de Rio Grande (RS), que será o maior da América Latina em fertilizantes, com aportes de R$ 1,5 bilhão, reforça Vargas, e irá suprir a demanda dos agricultores brasileiros nos próximos 25 anos. "Esse projeto significa um grande passo frente ao potencial de crescimento do mercado no Brasil."

Em outra frente, para aumentar a extração do fosfato, reduzindo a dependência de importações, a companhia está investindo no Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre (MG). Em plena operação prevista para 2021, o projeto terá capacidade de produção de um milhão de toneladas anuais de rocha fosfática.

Outro estudo, feito pela Yeb Inteligência de Mercado para a Associação Brasileira de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), mostra que entre os fertilizantes especiais, o foliar é o segmento mais representativo, somando 71% do total faturado pelo setor, que somou R$ 7,6 bilhões no ano passado. Já o organomineral representam 12% da receita, seguido dos condicionadores de solo com 10%; orgânicos 4% e o 3% da receita global.

Por tipo de cultura, a pesquisa da Abisolo constatou que 47% das vendas totais tiveram como destino a lavoura da soja. Em seguida vieram as frutas, hortaliças e legumes, com 11%. O milho recebeu 11% do total, o café 9%; e a cana-de-açúcar, 6%. O restante foi dividido entre citros, algodão, feijão, pastagem, arroz, reflorestamento e plantas ornamentais.

Ainda segundo o estudo, das 504 indústrias registradas hoje como fabricantes de fertilizantes no Ministério da Agricultura, 255 possuem organominerais em seus portfólios, enquanto 254 delas dispõem de fertilizante foliar. Em média, as empresas dispõem 37 produto.

Há uma concentração de pequenas e médias empresas no setor. Segundo o estudo, 4% das empresas de tecnologia em nutrição vegetal possuem receita bruta superior a R$ 110 milhões. A grande maioria, 53% delas, faturam entre R$ 2 e R$ 20 milhões. Uma parte desse faturamento, 3,6% em média, são investidos pelas empresas do setor em Pesquisa e Desenvolvimento de inovações para o mercado.

Ainda, de acordo com a Abisolo, nada menos que 97% das empresas reportaram aumentos nos seus custos de produção em 2018. Na média, os reajustes ficaram na faixa dos 13%, sendo que os aumentos nos valores das matérias-primas representaram 50% do total dos custos.

Por Rosangela Capozoli | Para o Valor, de São Paulo

Fonte : Valor

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