Ferrugem recua com tempo seco

Falta de chuva preocupa produtores, mas ainda não traz impacto na projeção de produtividade das lavouras gaúchas

As lavouras de soja do Rio Grande do Sul fecharam janeiro com 46 ocorrências de ferrugem em 18 municípios, índice 37% menor em relação ao mesmo mês de 2013. O principal fator que justifica a redução é o tempo seco e o calor intenso, ‘desfavorável para o desenvolvimento do fungo’, explica a pesquisadora da Embrapa Soja, Claudia Godoy. Segundo ela, atualmente a doença já está bem dispersa no Estado. Contudo, está sob controle. Levantamento feito pelo Consórcio Antiferrugem também comprovou que os produtores estão fazendo aplicações de fungicida para evitar a manifestação da doença. Praticamente todas as lavouras já receberam uma dose e se encaminham para a segunda ou terceira aplicação.

Os primeiros municípios com registro de ferrugem foram Tupanciretã e Cruz Alta, em lavouras ainda na fase vegetativa e em baixa severidade. Os demais casos foram registrados no estágio reprodutivo, principalmente em municípios da região Norte do Rio Grande do Sul, mostrando a dispersão do fungo. Chapada tem o maior número de relatos.

Para o agrônomo Claudio Doro, da Emater, a ferrugem encontra-se controlada nas lavouras do Estado. Mas ele reforça que é preciso estar sempre atento e fazer vistorias permanentes, pois a perda poderá chegar a 70%. ‘É uma doença oculta, que pode se instalar desde a germinação’, lembra. Geralmente, a ferrugem manifesta-se após a floração, que é o estágio em que encontram-se 35% das lavouras gaúchas. Outros 31% já estão na fase de enchimento de grão.

De forma geral, a condição das plantações de soja é boa no RS. ‘Mas o bom é que o ambiente seja favorável à ferrugem, pois daí também é favorável à soja’, contrapõe Doro. No momento, o limitante é a escassez de água. Contudo, segundo a Emater, ainda não há impacto à projeção de safra, que deve render 12,76 milhões de toneladas. O presidente da Aprosoja/RS, Décio Teixeira, concorda que a ferrugem está sob controle. ‘A única coisa que não está sob controle é a estiagem’, alerta. Ele está preocupado, pois as primeiras consequências, como manchas e folhas dobradas, já estão aparecendo, mas acredita que as lavouras resistam tranquilamente a mais uma semana sem chuva.

Segundo a MetSul Meteorologia, o tempo deve permanecer predominantemente seco nos próximos dias com chuva apenas localizada nas áreas produtoras de soja da Metade Norte. A empresa alerta que o calor extremo trará acentuada perda de umidade no solo, o que deve ocasionar estresse nas plantas. Gerente da Defesa Vegetal da Seapa, José Candido Motta, acrescenta que a condição climática também não permite o desenvolvimento da Helicoverpa armigera, assim como de outros insetos e pragas.

A doença

Dados do Consórcio Antiferrugem indicam que o primeiro foco de ferrugem da safra 2013/2014 no RS foi constatado no dia 2 de janeiro, oito dias mais cedo que na safra 2012/13.

A antecipação pode estar ligada à maior precipitação pluvial registrada em janeiro de 2014 (29% acima da média normal) se comparado ao mesmo período do ano passado (32% abaixo da média normal).

O que modificou o cenário e acabou diminuindo o número total de casos é que no final do mês de janeiro, o RS registrou altas temperaturas sem precipitação pluvial expressiva, o que dificulta o aumento da severidade da ferrugem de soja.

Fonte : Correio do Povo