Ferrugem asiática já causou prejuízos de US$ 25 bilhões em lavouras de soja no país

Silvésio de Oliveira, da CNA, defende mais agilidade do governo na liberação do registro de novos agroquímicos, especialmente fungicidas

Tiago Vianna

Foto: Tiago Vianna / Agencia RBS

Dados apontam perdas da ordem de US$ 1 bilhão na safra passada apenas em Mato Grosso

A falta de um controle adequado da ferrugem asiática, praga que afeta a lavoura de soja, já causou prejuízos de US$ 25 bilhões desde a safra 2003/2004 na produção da oleaginosa, afirmou o representante da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Silvésio de Oliveira, na audiência pública realizada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, para discutir os impactos socioeconômicos da doença na cultura da soja. Em sua exposição, ele também apresentou dados que apontam perdas da ordem de US$ 1 bilhão na safra passada apenas em Mato Grosso, o que representa, dependendo da variedade da semente, 15 sacas a menos na comercialização do produto, comprometendo, em média, quase 30% da renda do agricultor.
– Se Mato Grosso produz um terço da soja do país, pode-se dizer que a produção de soja no país inteiro teve um prejuízo de US$ 3 bilhões na safra passada – afirmou o representante da CNA. Segundo ele, a ferrugem asiática tem prejudicado não apenas a produção, mas a geração de empregos, a economia dos municípios e a pecuária, na qual a soja é utilizada na criação e alimentação de animais.
Diante deste quadro, ele defendeu mais agilidade por parte do governo na liberação do registro de novos agroquímicos, especialmente os fungicidas, que costumam ser mais utilizados no combate à ferrugem asiática.
– É preciso ampliar a quantidade de produtos no mercado porque os que estão disponíveis estão perdendo eficácia – justificou.
A ferrugem asiática é uma doença fúngica que se espalha rapidamente em função da eficiente disseminação dos esporos do fungo pelo vento. As condições que favorecem o seu desenvolvimento são temperaturas próximas a 24ºC e 6 horas de molhamento das áreas cultivadas. A desfolha precoce, que impede a completa formação dos grãos, com consequente redução da produtividade, é o principal sintoma apresentado pelas lavouras.
Participaram da audiência pública a gerente geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ana Maria Vekic; o diretor substituto de Qualidade Ambiental e Coordenador Geral de Avaliação e Controle de Sustâncias Químicas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Márcio Rosa Rodrigues de Freitas; o coordenador geral de Registros de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luiz Eduardo Pacifi Rangel; o diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef),  Eduardo Daher, e o representante da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Tadashi Yoirinore.

FAEP

Fonte: Ruralbr

Compartilhe!