Ferrovia chegará a Goiânia

Dois trens pretendem dar novo rumo à capital do país. Ideias antigas de ligar Brasília a Luziânia e a Goiânia por meio de linhas férreas voltaram a ser discutidas e esta semana poderão ter avanços importantes. Reativada em maio do ano passado, a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) lidera as negociações para desengavetar os projetos, que têm como pano de fundo a industrialização do Entorno, considerada a saída para diversificar a economia local.

Na próxima quinta-feira, será assinado protocolo de intenções para elaborar estudos de viabilidade da ligação entre Brasília e Goiânia. O trem de média velocidade transportaria cargas e passageiros. Pararia em Anápolis e, provavelmente, em Alexânia, onde a partir de julho haverá um outlet em funcionamento. O trajeto completo, cerca de 200km, duraria algo em torno de uma hora, metade do tempo gasto atualmente de carro.

O eixo da BR-060 abriga cerca de 7 milhões de pessoas, número que deve saltar para 20 milhões em 20 anos, segundo projeções demográficas. O trecho em questão da rodovia responde por um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 230 bilhões (veja Memória). O projeto do trem, orçado inicialmente em R$ 600 milhões, seria tocado por meio de parceria público-privada (PPP). Grandes empreiteiras nacionais já demonstraram interesse pela obra.

Após a assinatura do protocolo de intenções, um comitê técnico será criado em até 15 dias. "O mundo inteiro encara os trilhos como indutor de desenvolvimento. É um absurdo esse trem não ter saído do papel", comenta o superintendente da Sudeco, Marcelo Dourado. Além dele, os ministros dos Transportes e da Integração Nacional e os governadores do DF e de Goiás, e os diretores da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da Valec assinarão o documento.

O projeto do trem entre Brasília e Luziânia, que atenderá cerca de 600 mil moradores do chamado Entorno Sul, está mais avançado. Até esta sexta-feira, a ANTT deve dar aval para a licitação dos estudos necessários. Ainda em 2012, Dourado espera lançar o edital para a concessão do serviço, também por meio de PPP. A obra levaria cerca de um ano e meio para ficar pronta. A meta é começar a transportar passageiros antes da Copa do Mundo de 2014.

Desde a década de 1970, uma linha férrea entre as duas cidades, ligada à Ferrovia Centro-Atlântica, transporta carga, basicamente GRÃOS e areia. A intenção é aproveitar a estrutura existente, uma vez que 90% do percurso estão em bom estado. Da Rodoferroviária de Brasília até o centro da cidade goiana, o trajeto teria 70Km. Pequenas adaptações e a construção das estações e de 7km de trilhos demandariam investimento de cerca de R$ 70 milhões.

Investimentos

O outlet de luxo no município goiano, com a presença de 72 marcas nacionais e internacionais, seria inaugurado esta semana, mas atraso nas obras dos lojistas adiou a data para 19 de julho. Alexânia também abrigará polo industrial com, inicialmente, 12 empresas de cosméticos e construção civil.

Memória

R$ 1 bilhão por quilômetro

Em setembro do ano passado, o Correio (foto) mostrou como o trecho da BR-060 entre Brasília e Goiânia se transformou no espelho do desenvolvimento de uma região que cresce a taxas chinesas, avança pelo Planalto Central e se consolida como o maior mercado do país fora do eixo Rio-São Paulo. As riquezas produzidas no caminho que divide os dois centros respondem por um PIB estimado em R$ 230 bilhões. É como se cada quilômetro da rodovia movimentasse mais de R$ 1 bilhão. O montante representa em torno de 6% do PIB do Brasil e quase 70% do PIB da região Centro-Oeste. Cerca de 7 milhões de pessoas vivem ao longo dos 209km do eixo Brasília-Anápolis-Goiânia.

Palavra de especialista

Progresso regional

"A história mostra que quando surge um sistema de transporte eficiente ligando dois centros promissores, esse eixo tende a se desenvolver, a partir do adensamento populacional. Foi assim no mundo inteiro. A construção do ramal ferroviário entre Brasília e Goiânia e Luziânia certamente vai impulsionar o desenvolvimento na região. A população atendida terá alternativa de transporte mais barato, contribuindo para redução de veículos nas ruas. Além disso, o setor industrial brasiliense aguarda com ansiedade a ligação com Anápolis e, consequentemente, com o Porto Seco Centro-Oeste e a Ferrovia Norte-Sul, o que vai reduzir custos e melhorar o escoamento dos produtos".

Diones Cerqueira, economista-chefe da Fibra

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF

Jornalista(s): » DIEGO AMORIM