Fepagro revisa as operações de lácteos

Fonte:  Correio do Povo

Bovinos das unidades de Vacaria e Hulha Negra serão remanejados

Danilo dos Santos<br /><b>Crédito: </b> vilmar da rosa / cp memória
Danilo dos Santos
Crédito: vilmar da rosa / cp memória

A Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) está revisando sua operação no setor de lácteos. O tambo de Vacaria será fechado até o final de dezembro e os 33 bovinos, transferidos para outras unidades. A preferência é por São Gabriel e Eldorado do Sul, onde ainda se concentrarão as pesquisas sobre alimentação e sanidade do gado leiteiro. O centro de Vacaria será destinado a pesquisas para desenvolvimento de milho, soja, feijão e girassol.
Em reunião nesta semana, também foi definido que as 40 vacas da unidade de Hulha Negra terão o mesmo destino devido ao fim de um convênio firmado com produtores locais. Na área, será instalada a nova Central Riograndense de Inseminação Artificial (Cria). Segundo a pesquisadora Adriana Tarouco, o foco será a pesquisa de produção para gado de corte e sistema de cria com novilhas. Questionada sobre a mudança nas pesquisas com leite, ela preferiu não comentar.
Segundo o presidente da Fepagro, Danilo dos Santos, as mudanças foram uma decisão administrativa e buscam otimizar a atuação de seus pesquisadores, focando em ações que realmente digam respeito à investigação científica. "Hoje, essas unidades vendem leite e isso é o mercado que tem que fazer. Não faz parte da pesquisa e não tem que existir", pontua, ao lembrar que não há mais estudos nos centros em questão.
O superintendente técnico da Gadolando, José Luiz Rigon, que foi diretor e pesquisador da fundação entre 2003 e 2007, questiona a decisão. Segundo ele, os animais fazem parte do patrimônio genético do Estado, já que são resultado de melhoramento genético na raça Holandês, realizado pela fundação desde 1929, quando as primeiras matrizes chegaram a Montenegro. Santos alega que a Fepagro tem de 3 mil a 4 mil animais (corte e leite) e que o número nessas unidades "é insignificante" e muitos têm idade avançada.
Instituídos no governo Olívio Dutra, de 1999 a 2003, os dois tambos, mais um em São Borja, fechado no ano passado, foram estruturados nas regiões para suprir a carência de pesquisas e para fomentar a atividade leiteira em áreas com alto potencial inexplorado.
As mudanças preocupam os produtores de leite. Rigon alega que Vacaria e Hulha Negra dispõem dos equipamentos necessários para desenvolver as pesquisas para o setor lácteo, o que não ocorre nas demais. O presidente da Fetag, Elton Weber, recomenda que a posição seja reavaliada. "A Fepagro está precisando contratar mais gente. Fechar unidades não é a solução porque pode deixar macrorregiões sem pesquisa", frisou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *