FEIRAS – Organizador da Agrobrasília critica passivo do Funrural

Presidente da Coopa-DF, que realiza a feira, diz que cobrança, considerada constitucional pela Justiça, gera insegurança jurídica

agrobrasilia-coletiva (Foto: Raphael Salomão/Ed.Globo  )

Cerimônia de abertura da Agrobrasília ocorreu nesta terça-feira. (Foto: Raphael Salomão/Ed.Globo)

A cobrança do passivo do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural) é um absurdo e traz insegurança jurídica ao produtor rural. Foi o que disse o presidente da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), Leomar Cenci, na abertura da Feira Internacional dos Cerrados (Agrobrasília), nesta terça-feira (15/5), em Brasília (DF).
“É um absurdo essa cobrança retroativa, que gera uma grande insegurança jurídica. Não podemos aceitar mais esse ônus”, protestou Cenci, acrescentando que o agricultor ainda sofre com a violência no campo e más condições de logística.
O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para esta quinta-feira (17/5) o julgamento dos embargos relativos à cobrança Funrural. A ação é considerada decisiva para consolidar o entendimento da corte sobre a contribuição, com efeito sobre produtores e empresários rurais de todo o Brasil.

Há pouco mais de um ano, o Supremo considerou que o Funrural é constitucional e acabou por criar um passivo calculado em bilhões de reais. Nos embargos, entidades do agronegócio argumentam que, ao adotar essa posição, os ministros contrariaram decisão tomada pela própria corte anos antes.

“Vilão”

Ainda em seu pronunciamento na abertura da Agrobrasília, Leomar Cenci ressaltou a importância da agropecuária para a economia do Brasil. Argumentou, no entanto, que o produtor vem sendo tratado como vilão, apesar do Brasil utilizar uma pequena parte do seu território na atividade rural.
O presidente da Coopa-DF também rebateu críticas segundo as quais o Brasil é o maior usuário de agrotóxicos do mundo. Mencionou que a taxa de pulverização das lavouras aqui é de 3,2 quilos por hectare enquanto em países como Holanda (20 quilos) e Japão (17,5 quilos), as proporções são maiores.
“Usamos somente o necessário para produzir garantindo alimentos seguros para a população. O produtor faz sua parte, mas não tem o devido reconhecimento”, disse, sem mencionar diretamente a discussão no Congresso Nacional sobre mudanças na legislação sobre os produtos usados para combater pragas e doenças nas lavouras.

Otimismo

Neste ano, a Agrobrasília chega à 11ª edição. O tema central é a digitalização no campo e sua importância no aumento da produtividade nas lavouras. Na visão dos organizadores da feira, a análise de dados, com base nas ferramentas de tecnologia de informação, tende a ser cada vez mais um diferencial na atividade agropecuária.
A expectativa dos organizadores é de crescimento. Cerca de 100 mil pessoas devam passar pelos estandes de mais de 440 expositores nos cinco dias de evento. A previsão é de gerar R$ 850 milhões em negócios, 19,71% a mais que na edição de 2017, quando houve resultado recorde de R$ 710 milhões.
“O produtor colheu uma boa safra e está modernizando sua propriedade. A Agrobrasília é uma oportunidade de adquirir conhecimento e fazer bons negócios”, afirmou Leomar Cenci, presidente da Coopa-DF.
O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, destacou que a Agrobrasília reúne representantes da agricultura empresarial e familiar. Na opinião dele, isso quebra a “falsa dicotomia” entre os dois segmentos.
“Neste momento de recuperação da confiança dos empreendedores na economia do Distrito Federal, tenho muita convicção de que bateremos todos os recordes de negócios na Agrobrasília”, disse o governador.
*O repórter viajou a convite da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB)

POR RAPHAEL SALOMÃO*, DE BRASÍLIA (DF)

Fonte : Globo Rural