FEE mapeia 170 aglomerações industriais no Rio Grande do Sul

Após seis meses de pesquisa, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) mapeou a existência de 170 aglomerações industriais no Rio Grande do Sul. Ao todo, esse contingente responde por 47,9% dos empregos, 32,3% dos estabelecimentos e 34,8% do valor das saídas do setor produtivo gaúcho. A FEE divulgou ontem o resultado da primeira fase do estudo. O levantamento ratifica a importância do setor primário, visto que existem 36 aglomerados focados na fabricação de alimentos e outros 17 dedicados ao desenvolvimento de máquinas e equipamentos agrícolas. Apenas esses dois segmentos representam 31% dos agrupamentos existentes no Estado.
“Identificamos que as aglomerações industriais possuem uma relação direta com a matriz produtiva gaúcha, sendo a maior parte delas de setores tradicionais da economia, e com empresas de pouca densidade tecnológica”, aponta Rodrigo Feix, economista da FEE e um dos responsáveis pelo estudo. O especialista aponta que alguns ramos demonstram declínio, como o calçadista. Por outro lado, a produção de máquinas agrícolas é apontada como uma das atividades em ascensão.
Em relação à localização das aglomerações industriais, Feix ressalta que não houve surpresa nos resultados. A Serra lidera o ranking de representatividade, sendo detentora de 27 aglomerações e 3,3 mil empresas. A região serrana responde por 104 mil dos 341 mil empregos existentes nas 170 aglomerações. O Vale do Rio dos Sinos e o Vale do Taquari também se destacam entre as principais regiões que são focos de aglomerações.
A partir de agora, na segunda fase da iniciativa, a FEE vai concentrar sua atuação em 12 grupos. A ideia é compreender a dinâmica de funcionamento da atividade de cada local, identificar as carências e avaliar como funciona a articulação do agrupamento. Dos alvos de análise, apenas dois segmentos não estão enquadrados na política de Arranjos Produtivos Locais (APLs) do governo do Estado: o calçadista do Vale do Rio dos Sinos e o de máquinas e implementos agrícolas do Alto Jacuí.
O diretor da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Sérgio Kapron, ressalta que o objetivo é ampliar a política de APLs, através do reconhecimento de novos arranjos. Atualmente, o Estado conta com 20 APLs enquadrados e três reconhecidos (aqueles que o governo não aporta recursos diretamente). “Esse mapeamento vai estimular outras regiões a buscarem o reconhecimento”, acredita.

Fonte: Jornal do Comércio | Fernando Soares

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