FEBRABAN TESTA SISTEMA EM ABRIL

Câmara analisará processos de crédito para desafogar os bancos. Ampliação da exigência de Proagro gerou iniciativa

Entra em vigor em julho a obrigatoriedade de Proagro para os produtores que tomarem até R$ 300 mil pelo crédito rural para custeio da produção. Para atender essa nova clientela, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) trabalha na implementação de uma câmara centralizadora para análise dos processos de contratação de investimentos, que deve iniciar a fase de testes em abril. A exigência atende a resolução do Banco Central, de 2013, e atingirá principalmente médios produtores. A agricultura familiar já tem 100% de cobertura do seguro (Proagro Mais) nas linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A estimativa inicial é atingir 100 mil operações no Brasil, e o potencial está estimado em 1 milhão de contratos.

De acordo com o diretor adjunto de Produtos Financeiros da Febraban, Ademiro Vian, as instituições financeiras irão aderir conforme a necessidade. Além dos bancos que tradicionalmente operam com o crédito rural, como Banco do Brasil e Banrisul, instituições privadas se preparam para ofertar o serviço. Segundo ele, a iniciativa busca suprir a demanda do sistema financeiro, que tem um déficit operacional para o exame dos documentos. No fim dos anos 1990, instituições privadas deixaram de operar o Proagro quando o governo começou a retardar os pagamentos.

Conforme a resolução do Banco Central, que obriga a cobertura, a análise pode ser terceirizada e proíbe o funcionário que participar da concessão de crédito de julgar o processo. Com isso, a Febraban está montando a estrutura em parceria com o Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável do Agronegócio (IBDAgro), que será responsável pelo desenvolvimento do sistema e da logística. Além da informatização da gestão de dados, haverá monitoramento remoto das áreas por satélite, que possa provar perdas ocasionadas por fenômenos naturais, pragas ou doenças. ‘Os agrônomos terão novos serviços para desenvolver’, diz. ‘Haverá uma padronização, o que dará agilidade na resposta ao cliente’, afirma Vian, lembrando que o atual sistema tem regras que datam dos anos 1970 e precisa ser modernizado. Um dos impactos da medida, conforme o executivo, será a redução da renegociação por inadimplência ocasionada por perdas nas lavouras. ‘Quando há prorrogação de dívida, há restrição a novos créditos’, destaca.

O superintendente de Crédito Rural do Banrisul, Carlos Barbieri, diz que o novo sistema trará modernização, como o monitoramento das áreas. No entanto, destaca que a adesão será decidida pela direção do banco. ‘É um projeto que deve reduzir o tempo de análise do processo’, diz Barbieri, ressaltando que o tempo médio hoje é de um mês. Somente no segundo semestre de 2013, de 7 mil operações efetuadas no banco, 6 mil foram com a Proagro. Barbieri observa que a implementação da câmara exigirá que as instituições financeiras tenham um sistema integrado ao da Febraban, o que, segundo ele, pode demandar mais tempo para implementação. Para o presidente da Fetag, Elton Weber, se a medida vier para agilizar as decisões, será apoiada. ‘Somos favoráveis desde que isso não signifique mais burocracia. Hoje, há muita demora pela comissão especial de recursos’, assinala.

Fonte: Correio do Povo

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