Fábrica de Guaíba amplia exportações da CMPC

Objetivo é reforçar a presença nos mercados da Europa e dos EUA com o aumento da produção a partir de maio de 2015

A CMPC Celulose Riograndense estabeleceu 3 de maio de 2015 como a data prevista para o início das operações da fábrica avaliada em R$ 5 bilhões a ser construída no município de Guaíba. Com a unidade, a capacidade instalada da companhia saltará das atuais 450 mil para cerca de 2 milhões de toneladas anuais de celulose, transformando a Riograndense em uma das maiores empresas do setor no País.
Controlada pelo grupo chileno CMPC, que em 2009 pagou US$ 1,43 bilhão pelos ativos da Fibria localizados na região, a companhia tem priorizado estreitar relações com o Estado. Além do nome Riograndense, a CMPC traçou uma meta ambiciosa de assinar R$ 600 milhões em contratos com parceiros gaúchos. O objetivo foi superado com folga. “Devemos alcançar, nos próximos dias, a marca de R$ 1 bilhão”, revelou o presidente, Walter Lídio Nunes.
Em meio à surpresa proporcionada pela capacidade dos parceiros gaúchos de atender às exigências do projeto, a CMPC Celulose Riograndense avança com o empreendimento, que já alcançou aproximadamente 10% da obra concluída. A nova linha do complexo terá capacidade para produzir 1,3 milhão de toneladas anuais, número que deve subir para 1,5 milhão quando forem concluídas etapas técnicas do projeto.
A oferta adicional de celulose permitirá à companhia aumentar a participação dos mercados europeu e norte-americano no total de vendas. Hoje, por conta da capacidade limitada, a CMPC Celulose Riograndense direciona grande parte da exportação ao mercado asiático. “Com um volume maior de produção, teremos que olhar o mercado como um todo”, explica Lídio, sugerindo que o modelo adotado por concorrentes, de vendas divididas entre Europa, Ásia e demais regiões (um terço para cada mercado), pode ser repetido.
A nova unidade deve produzir aproximadamente 600 mil toneladas de celulose ao longo de 2015 e atingir a chamada plena capacidade no final do mesmo ano. Com isso, o custo unitário de produção apresentará queda expressiva. Nunes, contudo, não revela qual será esse ganho.
Além da unidade de celulose, a CMPC Celulose Riograndense opera uma fábrica de papel com capacidade para fabricar  60 mil toneladas por ano. O projeto, segundo Nunes, não será alterado após o início das operações da nova linha de produção de celulose. “É uma fábrica que tem sido eficiente e, por estar dentro de uma estrutura (integrada com a unidade de celulose), tem a atividade justificada economicamente”, diz.
A segunda fábrica de celulose da CMPC em Guaíba entrará em operação após a inauguração das unidades da Suzano Papel e Celulose em Imperatriz (MA), no final deste ano, e da Montes del Plata, uma joint venture entre a chilena Arauco e a sueco-finlandesa Stora Enso localizada no Uruguai, no início de 2014. Por isso, Nunes não se ilude em relação à trajetória de preços até o aguardado dia 3 de maio.
“O cenário para 2015 sugere preços menores, mas não vejo espaço para nenhuma ruptura. Falamos em uma queda, talvez, de US$ 50 a US$ 60 por tonelada, valor levemente mais baixo do que o atual”, sinaliza o presidente. A variação sugerida pelo executivo representa uma retração de menos de 10% em relação aos preços correntes, condição bastante distinta daquela prevista por especialistas dois anos atrás, quando se imaginava uma queda mais acentuada dos preços.

Celulose tem cenário favorável

Antes do ajuste para baixo nos preços da celulose a partir de 2014, a cotação internacional do insumo utilizado na produção de papéis deve apresentar leve correção para cima entre novembro e dezembro. Isso porque, em setembro, os fabricantes de celulose de fibra curta, caso do produto produzido no Brasil, anunciaram reajustes em vigor a partir de 1 de outubro.
Essa visão mais otimista apresentada pelo presidente da CMPC,  Walter Lídio Nunes, decorre de uma combinação de fatores elencada pelo próprio executivo. Os projetos da Suzano e da Montes del Plata sofreram atrasos e, por isso, iniciarão operações em um cenário mais favorável quando o assunto é a relação entre oferta e demanda.
Além disso, a economia chinesa continua aquecida, a atividade nos Estados Unidos dá sinais de recuperação e até mesmo a situação europeia apresenta melhoras.

Fonte: Jornal do Comércio

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