Faturamento de cooperativas gaúchas cresce

Organizações registraram ingressos de R$ 31,2 bilhões em 2014, aumento de 10,6% em relação ao ano anterior

Guilherme Daroit

FREDY VIEIRA/JC

Setor teve resultado superior ao do Estado, destacou Vergilio Perius

Setor teve resultado superior ao do Estado, destacou Vergilio Perius

Seguindo tendência já percebida há alguns anos, o balanço das cooperativas gaúchas foi, novamente, positivo em 2014. Ao todo, as 440 cooperativas ativas registraram ingressos de R$ 31,2 bilhões no ano passado, um aumento de 10,6% em relação a 2013, que marca um ano de expansão em praticamente todos as atividades realizadas pelas entidades. Considerando-se o último qui?nquênio, então, o crescimento do faturamento do setor se torna ainda mais robusto: 68,2%.
"É um crescimento fantástico, principalmente se posto em relação a um Estado que praticamente não cresceu nada", comenta Vergilio Perius, presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado (Ocergs). A entidade é a responsável pelos dados divulgados no estudo Expressão do Cooperativismo Gaúcho, que se mantiveram positivos mesmo com a perda de 24 entidades em funcionamento no Estado. Além do faturamento, também cresceram em 2014 o número de associados, que chegou aos 2,6 milhões, e os empregos gerados, passando das 58,4 mil vagas.
Entre os principais ramos de atividades realizadas pelas entidades gaúchas, o crédito registrou o maior crescimento, de praticamente 30%, totalizando pela primeira vez os R$ 5 bilhões em faturamento. "As cooperativas de crédito crescem muito e serão o diferencial nos próximos 10 anos", projeta Perius, salientando o número de 1,7 milhão de associados apenas no ramo. Apesar disso, a maior fatia do faturamento segue sendo a das agropecuárias, cujos ingressos chegaram aos R$ 19,8 bilhões em 2014, um aumento de 6%.
"Tivemos um resultado muito bom nos grãos, que, em 2015, está sendo ainda mais evidente, com crescimento no share das cooperativas no recebimento das colheitas", justifica o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoergs), Paulo Pires. Apenas na soja, por exemplo, a participação das entidades na safra passou de 22,3% em 2013 para 40,8% em 2014, sustentada na criação de novas unidades e maior capacidade de armazenagem. Além disso, a produtividade trazida pelos esforços de assistência técnica aos produtores também é citado pelas entidades.
A vocação exportadora dos alimentos, porém, minimiza os efeitos, segundo Perius, pelos custos envolvidos na logística de transporte dos grãos ao porto do Rio Grande. "O aumento, sentido também nas empresas de leite e de carne suína, nos permite pensar ainda mais na verticalização, agregando maior valor a nossa produção", complementa Pires, que aposta também nos recentes acordos comerciais de exportação de alimentos a países como Rússia e Estados Unidos para tentar repetir o crescimento em 2015.
À exceção do ramo de produção, que engloba cooperativas que fabricam cimento e sistemas hidráulicos, por exemplo, e que reduziu seu faturamento em mais de 8% no ano, seguindo tendência já vista há algum tempo – em 2011, os ingressos do ramo eram de mais de R$ 426 milhões, contra os atuais R$ 363 milhões – todos os outros setores cresceram. Foi o caso das cooperativas de saúde, que em 2013 haviam permanecido estáveis e, em 2014, retomaram expansão da ordem de 16,5%, atingindo R$ 4,5 bilhões. "Apesar da crise sentida por todos, estamos seguindo com os investimentos em novos hospitais e tendo oportunidades perante o caos da saúde pública", argumenta Márcio Pizzato, presidente da Unimed Porto Alegre, que, sozinha, cresceu 15% no ano passado.
Outro ramo, o de infraestrutura, cresceu 6,7%, com faturamento de R$ 847 milhões. A energia fornecida pelas cooperativas chegou a 271 mil consumidores, 61% deles no meio rural, com um crescimento de 13,2% no volume entregue. "Com isso e o resultado da venda da energia gerada no mercado livre, as cooperativas têm investido em qualidade e no apoio aos produtores que buscam aumentar sua carga para maior produção", defende o superintendente da Federação das Cooperativas de Energia, Telefonia e Desenvolvimento Rural do Estado (Fecoergs), José Zordan. Ao todo, o sistema cooperativo gaúcho gerou R$ 1,7 bilhão em tributos em 2014, aumento de 17,4% em relação a 2013.

Fonte: Jornal do Comércio

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