Farsul prevê aumento de 7,46% do PIB do setor agropecuário gaúcho em 2020

Projeção está embalada pela perspectiva de uma nova safra recorde de grão com 35,4 milhões de toneladas

Projeção está embalada pela perspectiva de uma nova safra recorde de grão com 35,4 milhões de toneladas

Projeção está embalada pela perspectiva de uma nova safra recorde de grão com 35,4 milhões de toneladas | Foto: Marco Quintana / Divulgação Sistema Farsul / CP

Influenciada pelo dólar e pelas exportações, a valorização de algumas das principais commodities produzidas no Rio Grande do Sul leva o agronegócio gaúcho a fazer projeções otimistas para 2020. A estimativa da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), apresentada, nesta terça-feira, durante coletiva de fim de ano, é de que o PIB do setor agropecuário cresça 7,46% em 2020 no Rio Grande do Sul, acima do PIB estimado para o total do Estado, que deve aumentar 2,53% segundo a entidade. Em 2019, o crescimento obtido pelo setor ficou em 8,64%.

A projeção da Farsul está embalada pela perspectiva de uma nova safra recorde de grãos, calculada em 35,4 milhões de toneladas. Caso seja confirmada, irá superar a produção colhida no ano de 2017, a maior até hoje. A soja segue como carro-chefe, com produção estimada em 19,1 milhões de toneladas. O otimismo também é justificado, segundo a Farsul, pelas reformas conduzidas tanto em âmbito federal quanto estadual. “Ainda que tenhamos grandes mercados lá fora, o grande consumidor do agronegócio é a nossa população”, afirmou o presidente da Farsul, Gedeão Pereira. O dirigente, inclusive, manifestou apoio ao pacote de reforma administrativa apresentado pelo governador Eduardo Leite.

O cenário também é visto com otimismo para a pecuária, já que a demanda chinesa dos últimos 60 dias fez com que todas as carnes subissem de patamar – em especial a carne bovina. Levantamento apresentado pela entidade apontou que a redução no preço da carne no varejo, nos últimos três anos, não foi tão grande quanto a queda no preço do boi gordo no período. Segundo o presidente da Farsul, a entrada da safra do Brasil Central e o consequente aumento da oferta, a partir de fevereiro, devem fazer com que os preços recuem. Da mesma forma, ressaltou que a demanda chinesa pode cair após o ano-novo, que no gigante asiático é comemorado no final de janeiro. “Os preços devem retroceder um pouco, mas jamais aos patamares anteriores”, observou. Uma nova missão chinesa, no entanto, deve vistoriar frigoríficos brasileiros nos próximos dias.

Tanto nos grãos quanto na pecuária, 2020 pode representar um ano de maior rentabilidade para o setor, que nos últimos ciclos viu as margens de lucro ficarem mais estreitas. "Mantendo a situação atual, devemos ter uma recuperação de margem. Ainda muito distante do que tivemos até 2015, mas diferente dos últimos três anos", afirmou o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz. No caso da soja, o VBP para o Rio Grande do Sul é calculado em R$ 24,6 bilhões, um acréscimo de 15% em relação a 2019. O economista, porém, ressaltou a possibilidade de que a elevação na taxa de câmbio resulte também em aumento de custos para o produtor na safra 2020/2021. Por isso, uma estratégia que ele considera “razoável” é antecipar a compra de insumos para a próxima safra.

Mesmo no arroz é esperada uma valorização, já que, segundo da Luz, “não tem como os preços não reagirem a dois anos seguidos de produção abaixo do consumo”. No caso do leite, a projeção é de rentabilidade inferior para 2019. Porém, conforme Gedeão Pereira, trata-se
de um segmento que pode apresentar mudanças positivas nos próximos dois anos. A expectativa é de que a demanda chinesa impulsione a produção. “O povo chinês está aprendendo a consumir lácteos e seus derivados pelo aumento de qualidade da sua alimentação”,
observa o dirigente.

Fonte: Correio do Povo

10/12/2019 | 20:05

Por Danton Junior

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