Farsul é contra tributação para as exportações de gado em pé

Quase 35 mil animais foram enviados a outros estados, disse Sperotto

Quase 35 mil animais foram enviados a outros estados, disse Sperotto

O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, disse que a entidade “não discutirá qualquer possibilidade de criar impeditivos à saída de animais do Estado”. A posição foi emitida por Sperotto, em entrevista coletiva na tarde de ontem, convocada logo após o governo divulgar que, para manter o frigorífico do Marfrig em Alegrete aberto, uma das medidas seria taxar a saída de gado em pé para o mercado externo e interno, principalmente para São Paulo. O JBS, concorrente do Marfrig, é o maior comprador de novilhos para abastecer confinamentos e abater, com foco em carne de raças bovinas britânicas.  
De acordo com o dirigente, quase 35 mil animais foram enviados para outros estados até setembro, a maior parte para São Paulo e para o JBS, que planeja “importar” 36 mil cabeças em 2014 e outras 40 mil em 2015. Esses animais abastecem o projeto Swift Black, que coloca carne de maior qualidade em segmentos de nicho. Na exportação, foram embarcadas 8,7 mil cabeças. “Esses dados desmistificam a ideia de que está faltando gado para abate. Temos um rebanho de 14 milhões que está sendo atropelado por causa de um contingente de 35 mil animais que saem”, reclamou Sperotto, contrapondo a redução de ICMS em produtos importados que serviria para amenizar a queda de receita do Marfrig.
Questionado sobre o pedido de incentivos para trazer animais vivos de outros estados para abater em plantas locais do Marfrig, Sperotto abriu a possibilidade de negociação, mas colocou em xeque a disponibilidade de animais fora do Rio Grande do Sul. “Não somos contrários. Se existem animais, isso não é problema”, ponderou o dirigente.
Sobre a rastreabilidade, embora a Farsul tenha se colocado contra a obrigatoriedade em 2013, quando o governo estadual apresentou projeto à Assembleia, Sperotto também não descartou a viabilidade. “Nosso posicionamento levava em conta a lei, que proíbe a obrigatoriedade. Mas não temos problemas em rever nossa posição”, completou.
Para o presidente da entidade, é possível encontrar soluções exclusivas para a fábrica de Alegrete, sem criar novas condições de comercialização que afetem toda a cadeia gaúcha. “Apostamos em um acordo para flexibilizar oportunidades compensatórias para essa unidade. Mas não se pode impor condições que irão atrapalhar o Estado como um todo apenas para permanecer com uma planta.”

Fonte: Jornal do Comércio

Luiz Eduardo Kochhann

ANTONIO PAZ/JC

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