FAO destaca Brasil no combate à fome

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Benitez, da FAO: papel importante dos programas de transferência de renda

Num cenário de crise econômica internacional, os países precisam reforçar suas políticas sociais para avançar na melhoraria da qualidade de vida das populações mais pobres, reduzindo a fome e o número de subnutridos no mundo. Em entrevista ao Valor, o novo representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe, Raúl Benitez, destacou que o crescimento econômico nos últimos anos foi importante para a diminuição da fome no mundo, porém ele não é suficiente para erradicá-la. "De nada vale um número espetacular da economia e das exportações se depois as pessoas passam fome".

O relatório "O Estado da Segurança Alimentar no Mundo (SOFI 2012)", publicado em outubro pela FAO, Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Programa Alimentar Mundial (PAM), mostra que a região da América Latina e Caribe foi a que mais avançou. Nos últimos 20 anos houve redução de 16 milhões de pessoas entre os que passam fome. Independente das medidas adotadas, porém, a fome ainda atinge 49 milhões de pessoas.

Os países latino-americanos que tiveram maiores baixas de subnutridos foram o Brasil e o Peru. "A América Latina foi capaz de levar a melhora na situação econômica para o social. Não é sempre assim. Em alguns casos, o país cresce, mas a situação social não melhora", explicou Benitez, que assumiu o cargo em julho.

Somente o Brasil retirou 10 milhões de pessoas da situação de fome, o que representa uma queda de 43,5% nos últimos 20 anos. Na avaliação de Benitez, isso ocorreu por conta dos programas de transferência de renda como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos e de aquisição de alimentos de pequenos produtores rurais. No período da crise de 2008/2009, países que não tinham sistema de proteção semelhantes registraram um aumento no número de pessoas que passam fome. Segundo Benitez, o Brasil conseguiu diminuir a quantidade de pessoas que passam fome porque, além de implementar uma política de transferência de renda, desenvolveu uma estratégia para que as pessoas consigam se sustentar no longo prazo. O país atingiu, três anos antes, a meta de erradicar a fome, segundo estabelecido no Objetivo de Desenvolvimento do Milênio 1, que era reduzir pela metade a proporção de pessoas subnutridas entre 1990 e 2015. No período, essa proporção passou de 14,9% para 6,9%.

Sobre os altos e baixos das commodities, o representante da FAO afirmou que a experiência mundial demonstra que "o mercado por si mesmo não resolve todos os problemas". Portanto, defende o desenvolvimento de políticas públicas para beneficiar os pequenos produtores. O impacto desse tipo de iniciativa é grande economicamente porque 80% dos produtores agrícolas pertencem à agricultura familiar na região.

Na avaliação de Benitez, a recente alta de preços de algumas commodities não provocou uma piora no quadro da fome no mundo. "O arroz, por exemplo, não aumentou o preço no mundo. O arroz é o básico para dieta de muitos países, principalmente, na Ásia, onde duas de cada três pessoas sofrem com a fome. Então, não podemos falar de uma crise de preços", explicou.

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Fonte: Valor | Por Edna Simão | De Brasília

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