Falta de água nos reservatórios castiga agricultores do sertão de PE

Muitos açudes e barragens não ficam cheios há quase uma década.
Falta comida para os animais e trabalho para os moradores.

Do Globo Rural

O agricultor Jorge Souza para de frente para o açúde, observa e não se conforma. Ele tem 32 anos de idade e só viu o reservatório cheio uma única vez, em 2004.

O açúde Saco Dois fica em Lagoa Grande, no sertão de Pernambuco. Tem capacidade para armazenar 123 milhões de metros cúbicos de água e foi construído para dar suporte a 12 barragens menores da região. Além disso, ele deveria abastecer a zona rural de mais dois municípios: Santa Cruz e Santa Maria da Boa Vista, mas está praticamente seco. O que resta é apenas um pouco de água suja. Para sobreviver, só com água que chega no carro-pipa.

Esta é a pior estiagem dos últimos 60 anos. A região que mais sofre em Pernambuco é o sertão.

De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Climas, das 32 barragens que existem no local, 18 estão em colapso. Em Parnamirim, a de Entremontes, segunda maior do estado, com capacidade de armazenar 340 milhões de metros cúbicos, não tem água suficiente nem para a criação de peixes.

Os agricultores não conseguem mais molhar as plantações. Há nove anos, o reservatório não fica cheio. A comporta principal da barragem está desativada. São tantos anos sem receber volume ideal para bombeamento de água, que tudo está parado. Tudo está sendo destruído pela ferrugem.

Há muito tempo, a régua de medição de nível não indica algo positivo. Animais procuram comida no paredão da barragem onde deveria estar coberto pela água. Não há trabalho e alguns moradores partiram em busca de dias melhores.

Marcelo Asfora, que é diretor-presidente da Agência Pernambucana de Águas e Clima, a Apac, explica porque nenhuma medida foi tomada para impedir que as barragens entrassem em colapso e o que está sendo discutido para amenizar a situação. Confira a entrevista no vídeo com a reportagem completa.

Fonte: G1

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