Expositores mantêm otimismo na Fenasul

JONATHAN HECKLER/JC

Depois de dois anos longe da feira, Cabanha VB, de Virgílio Biesdorf, venceu concurso de produção

Depois de dois anos longe da feira, Cabanha VB, de Virgílio Biesdorf, venceu concurso de produção

Os bons preços registrados pelo leite no Estado e a expectativa de melhoria nas pastagens nos próximos meses, com o fim da estiagem, contribuem para o otimismo dos expositores da Fenasul 2012. Nesta quinta-feira, primeiro dia de negócios do evento, que acontece no Parque Assis Brasil, em Esteio, os produtores demonstraram fortes expectativas de realizar boas vendas durante a feira.
Para Virgilio Biesdorf, proprietário da Granja e Cabanha VB, de Eldorado do Sul, o setor já está se recuperando das perdas sofridas com a estiagem de verão. “Passamos dificuldades com a seca e os altos preços da ração. Mas agora as pastagens já estão se recuperando, e o preço pago pelo litro está compensando os custos de produção, então esperamos bons negócios.” Em sua propriedade, de 974 hectares, Biesdorf cria mais de 600 bovinos leiteiros das raças Holandesa e Jersey, produzindo cerca de 4,5 mil litros de leite por dia. No entanto, o objetivo do criador é alcançar a marca de 6,5 mil litros diários.
O trabalho já rendeu frutos ao criador na própria Fenasul. Depois de dois anos afastada do circuito de exposições, a Cabanha VB festejou nesta quinta-feira a vitória do Concurso Leiteiro da raça Holandesa, na categoria Adulta, do qual participaram 27 exemplares. A vaca VB 1059 Heloisa Bradlery, com cinco anos, ganhou na categoria com uma produção de 73,68 quilos. Para Ricardo Biesdorf, que ao lado do pai administra a propriedade de Eldorado do Sul, o segredo desta vitória é o investimento que fazem em alimentação e genética. Já na categoria Jovem, coube a Itamar Tang, da Granja Tang, de Farroupilha, levar o Banho de Leite. Sua vaca Tang Marta Final Cut 8041 conquistou o título com uma produção foi de 58,016 quilos de leite.
A necessidade de investimentos em produtividade também foi destacada por Jorge Fonseca da Silva, proprietário da Granja Morena, de Pelotas. Com 318 cabeças de gado Holandês, a propriedade produz de 75 mil a 80 mil litros de leite por mês, e tem a meta de aumentar esse volume em 10% nos próximos anos. “Isso só se consegue com melhorias na alimentação, boas práticas e qualidade genética do gado”, afirma.
Silva lembra que oferecer ao mercado alta qualidade e quantidade contribui para elevar a rentabilidade do produtor. Ao passo que o preço médio do litro do leite padrão no Estado está em R$ 0,67, segundo o Conseleite (Conselho Estadual do Leite), o produto da Granja Morena alcança R$ 0,90 o litro. “Boa parte disso deve-se a nossos investimentos sanitários. Hoje somos uma propriedade considerada livre de brucelose e tuberculose”, destaca.
No entanto, não são apenas os grandes criadores que apostam no leite como um investimento que garante renda. O produtor Sérgio Celso Tasso, de Novo Xingu, município do Norte do Estado, acredita que o produto é uma das melhores alternativas para as pequenas propriedades. Em uma área de apenas 17,6 hectares, dos quais cinco são ocupados por pomares de citros, ele cria 14 vacas em lactação, produzindo 233 litros por dia, uma média de 19,41 litros diários por animal. O volume supera a média do município, que é de 12 litros ao dia por vaca.
Tasso, que desistiu da plantação de soja para investir no leite, não se arrepende da escolha. “Hoje em dia investir em soja só é rentável para propriedades grandes. Para o pequeno produtor o leite ainda é uma boa opção.” Sua opinião é compartilhada por outros produtores de Novo Xingu, onde a produção vem crescendo nos últimos anos. Se em 2005 o município produzia 2,7 milhões de litros anuais, em 2011 foram registrados 7,47 milhões, uma elevação de 175%, impulsionada por incentivo do poder público municipal.

Fonte: Jornal do Comércio |

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