Exportar mais valor é desafio do campo

Modelo de vendas do agronegócio ao Exterior dividiu as opiniões no parque

Principais responsáveis pelo equilíbrio e superávit da balança comercial brasileira, respondendo por cerca de 40% das exportações brasileiras, as vendas do campo para o Exterior esquentaram o primeiro debate da Expointer em uma tarde de chuva e frio. Especialistas de diferentes áreas se reuniram na Casa RBS em Esteio, no sábado, para debater o tema O Valor do Agronegócio no Brasil.
Promovido por Zero Hora em parceria com a Federasul, o evento Campo em Debate reafirmou o valor da produção rural e mostrou visões opostas sobre o grau de eficiência do setor ao vender sua produção. Professor do Centro de Ensino e Pesquisas em Agronegócio da Universidade Federal no Estado (UFRGS), Antônio Padula afirmou que o modelo do agronegócio ainda é mercantilista, em que predomina a simples exportação de matéria-prima, sem elaboração.
Como caminho, indicou a união de processadores e varejistas para ganhar mercado, como faz a multinacional de fast food KFC, que vem saciando a fome chinesa por frangos e novidades espalhando lanchonetes no país:
– O Brasil precisa fortalecer um pool de processadores e de vendedores, reorganizar a matriz comercial e mercadológica e chegar aos consumidores da China, da Europa e dos Estados Unidos.
Carlos Sperotto, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), rebateu da platéia:
– Essa visão não é real. Vamos rever nossos números sobre isso e apresentá-los aqui.
Sperotto citou como exemplo de exportador outro debatedor, Erasmo Batistella, presidente da BSBios, indústria de biodiesel de Passo Fundo que vendeu biodiesel nacional pela primeira vez em julho passado, para a Europa.
– Só não exportamos antes por questões cambiais, pela deficiência de infraestrutura e porque nosso produto é subsidiado em muitos países – comentou Batistella.
Pressão política para problemas que estão além das porteiras
O embate seguiu com o presidente em exercício da Federasul e coordenador da divisão de agrobusiness da entidade, José Américo da Silva:
– Carne, no Exterior, tem referência na Argentina. Café é colombiano. Salvo uma ou outra ação do varejo, nossas marcas não vão para fora do Brasil.
Idealizador de pesquisa sobre a imagem que o meio urbano tem do agronegócio, em que a importância do campo é referendada por 81,3% dos entrevistados, o coordenador de agronegócio da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo, José Luiz Tejon, recomendou que o setor tire melhor proveito da boa imagem. E ressaltou que o setor precisa deve ser cobrado dos governos:
– Há muitos problemas fora da porteira, em estradas e portos. O campo tem de mostrar mais o que faz para cobrar mais – ressaltou Tejon.
thiago.copetti@zerohora.com.br

THIAGO COPETTI

Multimídia

Evento em parceria com a Federasul foi realizado na Casa RBS

Fonte: Zero Hora

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