Exportação do Mais Alimentos sai em 2014

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Leite, do Mais Alimentos: Cuba e Zimbábue negociam com empresas brasileiras

Previstas para este ano, as primeiras exportações no âmbito do programa Mais Alimentos Internacional ficarão para 2014. O braço voltado a negócios no exterior do programa do governo federal que financia investimentos na modernização de propriedades de agricultores familiares teve suas regras remodeladas a fim de agilizar o processo.

Com as mudanças, o país interessado em participar do programa poderá importar máquinas agrícolas e negociar diretamente com a empresa exportadora, de acordo com Marco Antonio Viana Leite, coordenador do Mais Alimentos. Antes, a ideia era que o Ministério do Desenvolvimento Agrário e as empresas definiriam em conjunto quais companhias poderiam efetuar a venda e os preços que seriam praticados.

Agora, as empresas poderão inclusive exportar diretamente, sem a intermediação de uma trading. Um banco sediado no país que participar do programa deverá emitir uma carta de crédito para o exportador brasileiro com o valor das máquinas que serão embarcadas, e o Banco do Brasil pagará diretamente aos fornecedores brasileiros. O BB é o operador do Proex, que financia o Mais Alimentos Internacional. Há cerca de R$ 540 milhões aprovados no orçamento do programa, que já busca mais recursos, conforme Leite.

O programa internacional foi lançado oficialmente em dezembro de 2012, com duas portarias. No início deste ano, a expectativa era que a primeira exportação, para Cuba, fosse concretizada ainda no primeiro semestre, o que não aconteceu. Daí as mudanças realizadas.

As condições para o país participar do programa continuam praticamente as mesmas que as oferecidas pelo braço nacional do Mais Alimentos – juros de 2% ao ano e três anos de carência. Mas o prazo de pagamento, de 15 anos, é mais longo.

Agora, o país interessado poderá escolher a empresa exportadora de máquinas e será respeitado o "teto" dos valores do produto estabelecido no Mais Alimentos nacional. As empresas, por meio de suas associações representativas – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) – vão oferecer descontos de 5% a 15%. A tabela de preços está sendo revisada.

Segundo Leite, Cuba e Zimbábue estão em negociações com empresas para fechar as primeiras compras. Senegal, Moçambique, Gana e Quênia também já mostraram interesse em participar. Dessa lista, só o Quênia ainda não assinou o memorando de entendimento com o Brasil.

Esses seis países deverão representar, juntos, contratos de US$ 550 milhões. Está previsto um embarque para cada país por semestre, por um ano e meio. Depois, haverá uma avaliação para definir se o país continuará no programa. O coordenador diz que a intenção é exportar máquinas e o pacote tecnológico, com serviços de pós-venda. Conforme Milton Rego, vice-presidente da Anfavea, a demanda inicial é projetada em 500 tratores por país, afora outros equipamentos e implementos.

Como Rego, Walter Baldan Filho, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, também está otimista com o Mais Alimentos Internacional. Segundo ele, a demanda externa pelos produtos é grande e deverá chegar a entre US$ 95 milhões e US$ 100 milhões por país.

Baldan diz que delegações de Cuba, Zimbábue e Senegal já visitaram várias empresas. Segundo ele, de 60 a 70 companhias devem exportar equipamentos dentro do programa.

Na esfera nacional, o aumento do limite de crédito (de R$ 130 mil para R$ 200 mil) e a migração de outras linhas de investimento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para o Mais Alimentos desde a safra 2012/13 motivaram o aumento do número de contratos – que passou de 70 mil em 2011/12 (R$ 3,3 bilhões) para 150 mil em 2012/13 (R$ 5,7 bilhões). Conforme Leite, quem pagou as parcelas do financiamento voltou para "pegar mais crédito".

Somente nos primeiros meses nesta safra 2013/14 (julho a outubro), foram aplicados R$ 2,1 bilhões no programa. A estimativa, afirma Leite, é alcançar, ao fim desta temporada, um valor total de R$ 7 bilhões.

Foram comercializados no âmbito do Mais Alimentos cerca de 60 mil tratores desde 2009, lembra Leite. Em um universo de 4,4 milhões de estabelecimentos rurais familiares no país, somente 300 mil tinham tratores. O coordenador diz que há atualmente uma maior demanda por implementos, colheitadeiras e plantadeiras. "Mas isso não quer dizer que as vendas de tratores pararam". Podem ser adquiridos tratores de até 80 cavalos de potência.

Um estudo sobre o Mais Alimentos começou a ser feito em julho pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para dirimir eventuais gargalos. O levantamento será concluído até março e divulgado em julho.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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