Exportação de soja em grão poderá render US$ 5 bi a menos

Depois de um ano particularmente forte, quando um novo recorde histórico foi batido, as exportações brasileiras de soja em grão deverão recuar em 2019, pela primeira vez desde 2016, e render cerca de US$ 5 bilhões a menos que em 2018. É o que apontam projeções privadas e do governo, que serão fortalecidas nas próximas semanas em razão dos problemas climáticos que afetam a atual colheita da oleaginosa.

Ontem foi a vez de a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reforçar o coro. Estimativas divulgadas pela entidade indicaram que os embarques deverão alcançar 73 milhões de toneladas em 2019, quase 13,6% a menos que em 2018, quando o volume chegou a 82,9 milhões de toneladas, de acordo com os cálculos da entidade.

Em comunicado, Sergio Mendes, diretor-geral da Anec, também apontou que a colheita da oleaginosa deverá diminuir nesta safra 2018/19, o que deve limitar o excedente exportável. E deixou claro que a base de comparação é elevada, já que o resultado do ano passado superou com folga as expectativas em virtude das disputas comerciais entre EUA e China.

Apesar de o país ter saído ganhando em 2018, Mendes afirmou que as disputas geram incertezas perigosas no mercado. "Embora o Brasil tenha sido beneficiado com um volume estimado em 10 milhões de toneladas absorvidas pela China, esse cenário gera imprevisibilidade, o que não é desejável para um setor que já lida com variáveis, como clima, câmbio e logística".

A estimativa da Anec está em linha, por exemplo, com o volume previsto pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Segundo a entidade, que representa as grandes tradings que atuam no país, as exportações de soja chegarão a 73,9 milhões de toneladas, ante 83,9 milhões no ano passado. A Abiove prevê que, em média, cada tonelada sairá do país por US$ 380, abaixo dos US$ 400 do ano passado, e, com isso, projeta a receita desses embarques em US$ 28,1 bilhões, uma retração de 16%, ou US$ 5,5 bilhões.

Conforme o último levantamento divulgado pela Conab, os embarques deverão somar 75 milhões de toneladas, ante 82 milhões em 2017. Mas no início de dezembro a estatal ainda previa a produção em 120,1 milhões de toneladas em 2018/19, um novo recorde pouco superior ao volume registrado em 2017/18, o que dificilmente vai acontecer tendo em vista a escassez de chuvas atualmente na região Sul – e o novo relatório da Conab, que será divulgado hoje, deverá confirmar o problema.

O que já se sabe com certeza é que a maior parte dos embarques terá como destino novamente a China, independentemente da tensão entre Washington e Pequim, que poderá até arrefecer, e do ritmo de crescimento da economia chinesa, que poderá reduzir a demanda. Segundo o Centro Nacional de Informações sobre Grãos e Óleos do país asiático, as importações chinesas de soja deverão somar 87 milhões neste ano-safra que terminará em setembro, e o principal fornecedor continuará sendo o Brasil.

Se o viés para os embarques brasileiros de soja é de baixa, para as exportações de milho todos os sinais disponíveis confirmam que 2019 será um ano de recuperação. Anec e Conab projetam um volume de 31 milhões de toneladas, ante cerca de 23 milhões no ano passado.

Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo