Exportação de manga caminha para recorde

Leo Caldas/Valor

Produção de manga para exportação em Petrolina (PE), no Vale do São Francisco: expectativa é que a abertura de novos mercados para a fruta brasileira estimule a ampliação dos embarques

Impulsionado pelo aumento da oferta e pela boa demanda europeia, o volume das exportações de manga do país bateu recorde de janeiro a junho e deverá continuar em alta nos próximos meses. Por questões sazonais, a demanda externa, sobretudo a da União Europeia, principal destino dos embarques brasileiros de frutas, costuma ser mais aquecida no segundo semestre. Mas também é de se esperar que a recente abertura dos mercados da Coreia do Sul e da África do Sul para o produto do Brasil acentue essa tendência.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), as exportações nacionais de manga somaram 57,3 mil toneladas nos primeiros seis meses do ano, 8,7% mais que no mesmo período de 2017. A receita das vendas permaneceu estável, em cerca de US$ 64 milhões. A manga lidera o valor das exportações de frutas do Brasil, e a queda de preços sinalizada pela estabilidade do valor das vendas tem sido compensada pelo câmbio.

"A alta do dólar tem sido benéfica, mas agora não sabemos se o câmbio vai despencar ou subir mais", afirma Paulo Dantas, que produz manga no Vale do São Francisco e é o maior exportador brasileiro. Ele teme que uma possível queda forte do dólar no fim do ano comprometa a rentabilidade do segmento, já que o dólar elevado encareceu a compra de insumos no primeiro semestre.

Dadas as incertezas eleitorais e seus efeitos sobre o câmbio, diz Dantas, alguns produtores que exportam estão "travando" o câmbio em negociações com importadores. "Como tivemos uma experiência ruim no passado, preferimos aguardar mais. Ainda acho que vou esperar as eleições para travar uma parte do que vou receber", afirma o exportador.

Mas, independentemente da rentabilidade, os volumes exportados deverão continuar em ascensão. Em boa medida, devido à demanda europeia, que se desloca para o Brasil nesta época do ano por causa da entressafra de frutas em geral em fornecedores acima da linha do Equador. "Há grandes compradores de frutas no Hemisfério Norte, onde a produção começa a cair em consequência da queda das temperaturas", lembra Eduardo Caldas, gestor de Projetos de Agronegócio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Além disso, desde o fim de 2017 os produtores brasileiros receberam carta branca para vender manga à Coreia do Sul, e também há uma expectativa de que sejam realizados bons negócios com compradores da África do Sul. A previsão da Valexport, entidade que representa produtores do Vale do São Francisco, é de incremento de 10% nas exportações do país neste ano. Em 2017, as vendas bateram recorde e atingiram 179 mil toneladas.

O primeiro contêiner de manga brasileira para a África do sul foi enviado no início deste mês. Até o momento, há oito empresas brasileiras habilitadas a enviar a fruta para o país, mas apenas uma já está realizando embarques. De acordo com Tássio Lustoza, coordenador da Valexport, mais duas companhias deverão iniciar seus embarques até outubro ou novembro.

No caso da Coreia do Sul, são quatro empresas brasileiras habilitadas, mas também apenas uma realizando embarques, desde junho deste ano. "A tendência é que a partir da próxima quinzena as outras três comecem a efetivar suas vendas", disse Lustoza no início de setembro. De acordo com ele, o país asiático tem atraído o exportador brasileiro também por conta dos elevados preços pagos. Enquanto para os países europeus o preço médio varia de US$ 1,50 a US$ 2 o quilo, para a Coreia do Sul chega a US$ 3,60.

Com isso, o mercado internacional deverá, mais uma vez, "salvar" o produtor brasileiro. Isso porque a previsão é de aumento na produção de manga pelo segundo ano consecutivo, após avanço de 8,5% no ano passado, segundo dados do IBGE. "Prevemos uma concentração muito grande de frutas neste momento. Tem muita manga sendo colhida e o mercado interno deve sofrer com isso. A exportação é que vai ajudar a desafogar um pouco esta oferta", diz Lustoza.

  • Por Cleyton Vilarino | De São Paulo
  • Fonte : Valor