Exportação de fumo cresce em volume, mas faturamento cai

Maior exportador mundial de fumo, com cerca de 30% do comércio global, o Brasil conseguiu no ano passado recuperar – graças ao câmbio – parte do mercado que perdeu nos anos anteriores para concorrentes africanos. As exportações em volume cresceram, mas às custas de uma deterioração nos preços, o que significou uma receita 12,4% menor para o país, apesar de um volume 8,6% maior.

Com a demanda por fumo em declínio no mundo, as previsões para 2016 não são as mais otimistas, ainda que o ano tenha começado com um dólar "convidativo" para o exportador brasileiro. A previsão das indústrias produtoras de tabaco do país é que, se as exportações repetirem 2015, já será um bom resultado.

Em 2015, as empresas do setor no país exportaram 517 mil toneladas de tabaco, 8,6% acima das 476 mil toneladas de 2014, conforme dados da Secex elaborados pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco). Em receita, foram US$ 2,19 bilhões, queda de 12,4%, em função de preços médios menores.

Como principal fornecedor global, o Brasil é referência para os preços internacionais do fumo, explica o presidente da entidade, Iro Schünke. "Com o câmbio mais favorável, as cotações em dólar recuaram, e o país recuperou mais mercado", afirma.

Em seus melhores momentos, o Brasil chegou a exportar perto de 700 mil toneladas de tabaco por ano, o que ocorreu em 2007. Mas até meados de 2015, quando o real estava mais valorizado perante o dólar, o país perdeu competitividade no mercado de fumo para países africanos como Zimbabué, Tanzânia e Moçambique.

Agora, apesar do câmbio atual, Schünke não arrisca uma previsão para os embarques de 2016. Os contratos internacionais de compra e venda de tabaco são firmados entre janeiro e julho, em especial, no meio do semestre. "Nossas associadas ainda estão negociando. Não há um número já disponível para informar". Mas ele reconhece que se o volume de 2016 se equiparar ao de 2015 já será um bom desempenho.

As restrições cada vez maiores ao cigarro no mundo vêm reduzindo o consumo e afetando toda a cadeia, diz Schünke. Até 2012, o consumo crescia. A curva se inverteu em 2013, quando a demanda mundial por cigarro caiu cerca de 3%. Ainda não foram divulgados os dados de 2015, mas ele acredita que o declínio tende a continuar, até atingir um patamar de estabilidade.

As políticas para atrair consumidores são mais implementadas pela indústria cigarreira, diz o executivo, mas o Sinditabaco também se movimenta. Schünke se refere à defesa, junto aos órgãos que definem políticas na área de saúde no país, que tenham "mais equilíbrio" na adoção de medidas visando reduzir o número de fumantes e a exposição dos não fumantes ao cigarro.

"O Brasil, que participa de uma comissão na Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o tema, às vezes avança mais rápido na adoção dessas medidas. O que a gente tem defendido aqui é um maior equilíbrio. Que seja levado em conta o aspecto social desse setor, até para evitar exportar mão de obra e renda a outros países", afirma Schünke.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

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