Exportações turbinam preços do frango

Depois de patinar nos primeiros cinco meses do ano, as exportações de carne de frango tiveram forte recuperação em junho e já afetam os preços do produto no mercado doméstico. Com altas superiores a 6% no atacado, a carne de frango deve ficar mais "salgada" para o bolso do consumidor em julho e novas valorização não estão descartadas, sobretudo se as exportações continuarem aquecidas no segundo semestre.

De acordo com analistas ouvidos pelo Valor, a indústria de carne de frango é uma das atividades mais favorecidas no atual cenário de crise econômica. Por ser uma proteína mais barata, o frango leva a melhor na competição com a carne bovina, que chegou a níveis recorde de preços neste ano. Até maio, no entanto, uma sobreoferta de frango vinha impedindo oscilações bruscas nos preços, mas a retomada do ritmo das exportações em junho alterou o quadro.

Aliado a isso, grandes empresas como JBS e BRF deflagraram estratégias de reajuste dos preços para repassar o aumento de custos com energia elétrica e insumos importados – que ficaram mais caros com a valorização do dólar -, o que também fortaleceu a alta dos preços da carne frango em junho, diz o analista do Rabobank, Adolfo Fontes.

Nesse contexto, a carne de frango congelada registrou alta de 9,6% em junho no atacado paulista, para R$ 3,42 o quilo, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Em igual comparação, o preço da carne de frango resfriada subiu 6,2%, a R$ 3,40 por quilo.

"Se as exportações continuarem brilhando, tenho a impressão que sobe mais", avalia César Castro Alves, analista da MBAgro. Hoje, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) divulga dados das vendas externas de carnes in natura de junho, e a expectativa é que o volume de carne de frango registre forte alta, podendo inclusive bater o recorde mensal – cerca de 380 mil toneladas.

Na avaliação do vice-presidente de aves da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o desempenho das exportações em junho pode até mesmo compensar a queda acumulada no ano. Entre janeiro e maio, os frigoríficos brasileiros exportaram 1,59 milhão de toneladas, queda de 3% ou de 53 mil toneladas ante igual período do ano passado.

Para ele, a tendência é de um bom segundo semestre nas exportações, o que reforça a estimativa de avanço de 2% a 3% no acumulado de 2015, mesmo diante de um primeiro semestre mais fraco. Esse otimismo está calcado na brecha aberta pelo surto de gripe aviária que atingiu mais de 30 países, com destaque para EUA e China. De um lado, os americanos sofreram embargos que abrem oportunidades para o frango brasileiro. De outro, alguns países que sofreram com a gripe aviária precisam recompor seus estoques, afirma. "Não vejo alívio nos preços das carnes", projeta Santin.

Apesar disso, Adolfo Fontes, do Rabobank, pondera que a principal alta no atacado foi em junho – uma parte desse aumento só chegará ao consumidor neste mês. Segundo ele, a oferta confortável de grãos limita o potencial de alta do frango daqui para frente. O analista do Cepea, Augusto Nunes, também aponta a resistência do consumidor como um impeditivo. "Mas não vejo chance de o preço cair. Pode até ter pressão de alta vinda do mercado externo", diz.

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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