Exportações no horizonte da indústria

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) e da empresa BSBios, o empresário Erasmo Carlos Battistella, embora haja uma disputa sadia entre Rio Grande do Sul e Mato Grosso quanto à produção, há uma grande barreira na situação atual do Estado.

"Precisamos que haja um crescimento de mercado, mas, mais do que isso, as empresas gaúchas deveriam lutar pela exportação. As demais regiões também estão fazendo investimentos. Elas são mais atrativas, têm incentivos fiscais mais competitivos, além de uma logística mais favorável. Temos a expectativa grande que, um dia, quando tivermos a reforma tributária, possamos ser um País que exporta biodiesel", diz Battis- tella. Dados do Departamento de Economia e Estatísica (DEE) do governo do Estado apontam que, de fato, não há exportações de bio-diesel no Rio Grande do Sul desde o segundo trimestre de 2017, pelo menos. Em 2013, elas chegaram a alcançar US$ 32,7 milhões, e no ano seguinte, US$ 22 milhões.

A exportação de soja segue caminho inverso, e já chegou aos US$ 350 milhões em 2020, ainda longe dos US$ 4,9 bilhões em 2019. O grão é o principal item hoje exportado pelo Estado, correspondente a quase um quarto das vendas de produtos gaúchos para o exterior, especialmente para a China, país que mais compra a oleaginosa do Brasil.

Mas, o que explica estas diferenças? A Ubrabio afirma que, "por questões econômicas e tributárias", o biodiesel brasileiro não tem competitividade lá fora. A importação deste biocombustível é atualmente proibida.

Segundo o presidente da entidade, Juan Diego Ferrés, atualmente, pouco mais de 35% da soja recebe agregação de valor, contra 65% de industrialização na safra de 1999.

Por isso, a principal proposta da entidade é a chamada equali-zação do complexo soja, no qual 3,5% do valor das exportações do grão seriam retidos e revertidos ao agricultor para a produção do farelo, utilizado na alimentação animal, até que as metas de industrialização sejam alcançadas. Quando isto acontecer, o valor retido cai. Na visão da Ubrabio, assim, os empresários poderiam oferecer melhor preço pela oleaginosa, beneficiando também quem a produz.

Fonte: Jornal do Comércio

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