Exportações gaúchas recuam 8,7% até maio

Queda no volume de produtos atingiu os principais países compradores do Estado

Patrícia Comunello

A queda foi generalizada nas exportações gaúchas no balanço de janeiro a maio de 2014. Do setor primário, puxado por commodities, como soja, à indústria de transformação, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) mostrou que a receita do setor externo teve recuo de 8,7%. Mais que o dobro em pontos percentuais da redução média verificada no fluxo externo do País, que caiu 3,5%. O valor total faturado pelas empresas gaúchas somou US$ 6,9 bilhões, frente US$ 7,5 bilhões dos cinco primeiros meses de 2013. O Brasil somou US$ 90,1 bilhões nos cinco primeiros meses. Em maio, a perda chegou a 13,3%, alcançando US$ 2 bilhões. O volume, que despencou 22,4%, foi o sintoma mais evidente do período de baixa.
Segundo os analistas da FEE, a variável calculada já reflete parte do impacto negativo previsto com a projetada ausência de plataformas de petróleo na conta externa deste ano. Em 2013, três plataformas encomendadas pela Petrobras e montadas no polo naval de Rio Grande representaram 25% da receita em dólares. O desempenho do volume foi o pior entre os maiores estados exportadores. O economista Adalberto Maia, do núcleo que analisa a balança externa, observou que economias baseadas em commodities (entre grãos, minérios e petróleo), como Minas Gerais e Rio de Janeiro, foram as mais afetadas por variações no mercado internacional. O fluxo da receita mineira caiu 7,8%, e o fluminense, 14,1%.  Com o saldo em cinco meses, o Rio Grande do Sul repetiu o sexto lugar no ranking dos estados que mais comercializam ao Exterior.
A projeção dos técnicos da FEE é que o maior fluxo de embarques de soja até o fechamento do primeiro semestre possa amenizar a temporada frustrada nas divisas. Em cinco meses, o produto gerou US$ 1,5 bilhão, 10,5% a mais que o mesmo período do ano passado. Mas no mês passado, a receita com o grão baixou 13,5%, somando US$ 795,5 milhões. O estatístico e um dos analistas da fundação Guilherme Risco citou que a China demandou US$ 1,4 bilhão em cinco meses, acima dos US$ 1,2 bilhão de 2013. “Nos próximos meses, a exportação para a China deve aumentar. Os produtores e o mercado devem estar esperando melhores preços”, avaliou Risco, que citou outras zebras no fluxo. Trigo é o retrato mais contundente de quanto faz falta regularidade nos contratos: o grão de inverno somou US$ 335,3 milhões na largada de 2013, e amargou US$ 8,4 milhões este ano. O ramo primário recuou 9,7% na receita.
Na indústria de transformação, que responde por 72% da receita gaúcha, a redução no faturamento foi de 8,2%, e no volume, de 28,5%. “A Ucrânia foi a maior responsável pela queda na área de carnes”, exemplificou o estatístico da FEE.
O país do Leste Europeu comprou US$ 3,5 milhões até maio deste ano, enquanto os gastos no mesmo período de 2013 haviam sido de US$ 48 milhões. Um dos efeitos ficou estampado na conta de abate e preparação de produtos de carne e pescado, que fechou com queda de 15,7%. Carne suína é um dos itens vendidos aos ucranianos. Fumo, veículos e químicos ajudaram a derrubar o ânimo das vendas. No tabaco, que tem como maior comprador o mercado norte-americano, o corte da receita chegou a 33,5%, com US$ 200 milhões a menos no caixa. Os Estados Unidos registraram queda de 26,8% na receita que ingressou no Estado até maio, ou US$ 150 milhões a menos.   
O impasse dos embarques de carros para a Argentina, que recentemente firmou novo acordo de cotas com a indústria brasileira, explica a captação de US$ 51,9 milhões, mais de 50% abaixo do resultado de janeiro a maio de 2013, de US$ 115 milhões. Risco lembrou que, mesmo com as instabilidades internas, o país vizinho foi o segundo maior parceiro comercial até maio, atrás apenas dos chineses. Paraguai desponta como novo destino em tamanho, ficando em quarto lugar, com alta de 27,5% em cinco meses, quase US$ 100 milhões a mais. Derivados de petróleo são os itens mais exportados. Maia também associou o desempenho em alguns blocos, como a União Europeia, a efeito ainda da menor demanda internacional. “A crise não terminou”, preveniu o economista.

 

Fonte: Jonal do Comércio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *