Exportações gaúchas começam 2020 com o pior desempenho em 11 anos

As exportações totais do Rio Grande do Sul registraram, em 2020, o pior quadrimestre inicial do ano em mais de uma década.

Em um relexo da crise econômica global provocada pela pandemia de coronavírus e do novo peril da economia gaúcha, com maior peso do setor primário, o Estado exportou US$ 4 bilhões de janeiro a abril deste ano, ante US$ 5,9 bilhões em igual intervalo de 2019 – um tombo de 35%. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia e foram compilados pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).

É preciso recuar 11 anos, até 2009, para encontrar uma queda tão expressiva das exportações gaúchas em números absolutos e em comparação com o mesmo período do ano anterior. De janeiro a abril daquele ano, na esteira da recessão causada pelo colapso do sistema de hipotecas dos EUA, o setor obteve um resultado de US$ 3,55 bilhões no RS, 28% a menos do que no primeiro quadrimestre de 2008.

O resultado gaúcho deste ano contrasta com o do Brasil. Embora tenham recuado em relação a 2019, as exportações totais brasileiras tiveram queda mais suave, de apenas 6,63%. Até abril, o setor no País atingiu um resultado de US$ 67,3 bilhões, ante US$ 72,1 bilhões no ano anterior.

A disparidade entre exportações totais no Estado e no País deve-se à maior diversidade da pauta brasileira de exportações, conforme Márcio Guerra, representante do Escritório Sul da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

"O Rio Grande do Sul sentiu efeito maior da presente crise mundial em suas exportações em valor agregado e industriais do que nas voltadas para o agronegócio", airma.

O diagnóstico de Guerra encontra respaldo nos números. O fraco desempenho das exportações industriais foi o principal responsável pela queda das exportações totais, como mostram os números divulgados pela Fiergs. O setor atingiu um resultado de US$ 3,17 bilhões no primeiro quadrimestre, 41,7% a menos do que no mesmo período de 2019. Os setores que mais encolheram foram celulose e papel (-68,4%), tabaco (-38,5%) e químicos (-34,3%). Em compensação, o setor de alimentos registrou aumento de 30,1%, e o de bebidas, de 92,8%.

Fonte: Jornal do Comércio

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