Exportações gaúchas caem 11,8% no primeiro bimestre

Segundo a FEE, produtos agropecuários tiveram retração de 9% em volume provocada, especialmente, pelo desempenho da soja

Clarisse de Freitas

A balança externa do Rio Grande do Sul em janeiro e fevereiro deste ano reflete as condições da produção do ano anterior. A observação do economista Bruno Caldas, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), está baseada num crescimento de 17,3% em valor e 28,8% em preços, com queda de 9% em volume total de produtos agropecuários exportados. O dado apontado por ele é composto por uma importante redução nas vendas de grãos de soja (menos US$ 88,5 milhões em comparação com o mesmo período do ano anterior, ou -99,9% em valor, -100% em volume e crescimento de 141,5% em preços), registrada em função da quebra na safra, e da conquista de novos mercados no trigo (que cresceu US$ 89,3 milhões, com alta de 62,1% em valor, 29,6% em volume e 25,1% em preços) e no milho (com ganho de US$ 36,1 milhões).
Esses números da agropecuária, combinados à obtenção de US$ 348,2 milhões a menos pela exportação de produtos da indústria de transformação, compõem uma retração de 11,8% nas exportações do Rio Grande do Sul nos dois primeiros meses do ano. Um encolhimento que ultrapassa o verificado no País: – 7,8%. A retração nacional é explicada pela queda nas vendas de petróleo e de soja. O resultado coloca o Estado como o quinto maior exportador brasileiro, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pará.
A economista da FEE Cecília Hoff ressalta que essa posição do Estado no ranking nacional pode mudar a partir de março, quando começam a ser registrados os números da safra 2013. A tendência, segundo os pesquisadores da FEE, é que haja recuperação tanto nas exportações agrícolas, quanto nas industriais. “Os dados de janeiro e fevereiro de 2012 ainda não registravam os embargos argentinos. Quando os números posteriores às medidas protecionistas começarem a ser usados como base, vamos poder perceber a busca das empresas pela diversificação de mercados na margem (sem substituição de volumes) e os sinais de retomada das importações pelo país vizinho”, projeta Cecília.
Ao apresentar os números de janeiro e fevereiro, os economistas apontaram que a exportação de produtos alimentícios registrou um decréscimo de US$ 189,2 milhões (-27% em valor, -38% em volume e 17,8% em preços). Já o setor de máquinas e equipamentos teve um decréscimo de US$ 81,8 milhões (-33% em valor, 29,6% em volume e -4,9% em preços). Na venda de veículos automotores, a retração foi de US$ 19,9 milhões (-12,2% em valor, -11,6% em volume e -0,7% em preços).
Outro destaque feito por Bruno Caldas e Cecília Hoff foi a queda da China no ranking dos principais destinos das exportações do Rio Grande do Sul. Em primeiro lugar aparece a Argentina, ainda que com uma redução de 30% na participação (agora o país é destino de 9,55% das vendas externas). Depois aparecem Estados Unidos (8,12% de participação, destacado como o principal comprador de armas), Paraguai (destino de 3,78% das cargas, demandante de máquinas e equipamentos agrícolas) e Holanda (3,66% de participação nas exportações gaúchas, o país é ponto de entrada para a Comunidade Europeia e destino da exportação de arroz). A China, principal comprador da soja do Estado, aparece no quinto lugar, com participação de 3,6%.

Fonte: Jornal do Comércio

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