Exportações do Rio Grande do Sul recuam 9,2% no ano

Menor demanda internacional devido às crises norte-americana e europeia, embargos da Argentina e da Rússia e estiagem no Estado foram fatores que influenciaram para que o Rio Grande do Sul deixasse de exportar US$ 1,4 bilhão nos primeiros nove meses do ano, se comparado ao mesmo período em 2011. Esta queda está vinculada mais ao volume do que aos preços, que se mantiveram semelhantes aos do ano passado. Com isso, a participação do Estado nas exportações brasileiras caiu de 7,89% (de janeiro a setembro de 2011) para 7,54%. Isso vai de encontro à queda das exportações da agropecuária gaúcha, que puxou o desempenho do Rio Grande do Sul nos primeiros meses, inclusive em setembro. As exportações gaúchas neste último mês caíram 28,1% em volume financeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado, o equivalente a US$ 574 milhões a menos em vendas. Em volume físico, a queda foi de 28,9%. No acumulado do ano (janeiro a setembro) a queda financeira foi de 9,2%, enquanto a redução brasileira é de 4,9%.
Nos primeiros nove meses de 2012, as vendas para outros países com origem no Rio Grande do Sul acumularam US$ 13,6 bilhões. Houve queda de 20,4% em valor nos embarques agropecuários e 20,7% em volume. “As exportações agropecuárias gaúchas reduziram em US$ 656,1 milhões, principalmente devido à queda do volume físico. A soja respondeu por uma perda de 31% no total exportado em setembro. Esta queda era de 35% em agosto”, observa o economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Bruno Breyer Caldas. Ele acredita que isso ocorreu porque os exportadores escoaram o produto antecipadamente.
A agricultura respondeu por 45% do impacto da queda, destaca Caldas. A indústria de transformação também sofreu redução (com 55% do impacto), registrando vendas de US$ 782,5 milhões a menos no acumulado do ano (6,7% em valor, 6,5% em volume e 0,3% em preços). O aumento das exportações de soja – que no Rio Grande do Sul caíram – fizeram com que o peso das exportações agropecuárias do restante do País crescessem. “A principal diferença no resultado das exportações gaúchas e nacionais está atrelada à diferença de desempenho da soja e do milho, que no resto do País foi positiva, ao contrário do Rio Grande do Sul.”
Também a indústria de transformação brasileira teve uma queda nas exportações inferior se comparada com a gaúcha em termos percentuais: 3% frente a 6,7% no Rio Grande do Sul. No Estado, a indústria de transformação teve decréscimos de US$ 279,1 milhões nas exportações de couro e calçados, devido ao protecionismo argentino; contou com menos US$ 242 milhões na venda de produtos químicos e deixou de ganhar US$ 236,6 milhões nas exportações de alimentos e bebidas, onde o maior responsável por esta queda foi o abate de carnes, principalmente de suínos, devido ao embargo russo, que gerou decréscimo de quase US$ 100 milhões.
Por outro lado, as exportações de fumo, principalmente para a China, geraram crescimento de US$ 266 milhões. Já máquinas e equipamentos apresentaram reversão no desempenho. “Até agosto, este segmento vinha crescendo em torno US$ 230 milhões. Mas, em setembro, a queda foi tão grande (US$ 238 milhões) que reverteu o resultado acumulado”, ressalta o economista da FEE.
Dos três principais destinos do Rio Grande do Sul, dois apresentaram queda nas exportações em setembro: China (soja) e Argentina (químicos, máquinas e equipamentos, veículos de luxo, couros e calçados, entre outros). A quebra de safra do Paraguai também levou à diminuição da demanda de produtos como máquinas e equipamentos.

Fonte: Jornal do Comércio | Adriana Lampert

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