Exportações do Estado caem 16% até setembro

Recuo atingiu todos os setores, com pior desempenho na indústria

Patrícia Comunello

O ano de 2013 vai deixar saudades no desempenho externo da economia gaúcha. Mesmo sem o desfecho deste ano das exportações, o acumulado até setembro demarca queda de 16,1% na receita com vendas para o mundo. A indústria de transformação lidera a temporada em baixa, com perda de 19% na divisa nos nove primeiros meses do ano. O período gerou US$ 14,7 bilhões, US$ 2,8 bilhões a menos que a injeção de janeiro a setembro de 2013. O Estado mantém a quarta posição entre os estados que mais exportam, mas tem a maior taxa negativa no grupo dos líderes. A média do comércio nacional, que alcançou US$ 173,6 bilhões, foi de recuo de 2,2% no período.
Os economistas da Fundação de Economia e Estatística (FEE) culparam mais uma vez parte da ampliação da queda ao fator plataforma de petróleo, que gerou no período em 2013 cerca US$ 1,6 bilhão a mais em divisas. O impacto deve voltar a contaminar o resultado da balança a partir deste mês e em novembro, pois o Estado “exportou” duas plataformas nos dois meses em 2013. Os equipamentos só são remetidos de forma contábil ao Exterior pela Petrobras, sem nunca terem saído fisicamente do território nacional e depois voltam como prestação de serviço. “Até dezembro, deverão entrar mais US$ 3,2 bilhões”, previne o economista Guilherme Martinez Risco, do Centro de Informações Estatísticas da FEE.
Além disso, Risco ressalta que setores industriais importantes tiveram queda, como derivados da soja, veículos (efeito das barreiras argentinas), fumo e máquinas para o setor agrícola. No segmento primário, nem a soja salvou a lavoura externa, registrando perda de 1,9% na receita, efeito da desaceleração dos preços da commodity no mercado internacional. O volume de embarque do grão aumentou 1,2% em nove meses, mas o valor unitário ficou 3,1% abaixo do negociado no ano anterior. No confronto de setores, a indústria de transformação continua a perder espaço, ficando abaixo de 70% de participação na captação de dólares, enquanto o ramo primário beira os 30%. Em 2013, respondia por pouco mais de 26%. Grãos de soja ocupam 90% desse espaço. Derivados de petróleo estão entre escassos resultados positivos, com alta de 52,5% no ano.
O economista responsável pela análise na Fundação de Economia e Estatística (FEE), Guilherme Risco, ressaltou que o complexo soja é decisivo na balança, mas não repete o desempenho de 2013. “Foi o melhor ano para exportação de soja”, justifica Risco, que integra o Centro de Informações Estatística (CIE) da FEE. No terceiro trimestre, a queda na receita com o grão se aprofunda, com recuo de 13,9%. Em volume, a taxa é de -9,7%, que se explica pela maior concentração de negócios com a commodity no segundo trimestre até julho. O Estado perdeu terreno também em trigo (que mergulhou para apenas US$ 8,8 milhões de divisas ante US$ 335 milhões de janeiro a setembro de 2013). O arroz mostra desempenho oposto, com alta de 38% na divisa gerada pelos embarques até setembro, somando US$ 80,6 milhões. No terceiro trimestre, porém, a queda é de 60%.  
A indústria de transformação é penalizada pela dependência a parceiros como a Argentina, maior queda entre principais destinos, com faturamento 27% abaixo dos nove meses de 2013. Embarques de automóveis, canalizando a produção da fábrica da General Motors em Gravataí, teve forte peso neste desempenho. O país vizinho é o terceiro em compras da base industrial gaúcha. O corte em envio de carros acumula US$ 186 milhões, 60% menos que o de 2013. Risco considera difícil maiores mudanças no ambiente externo que ajude a recuperar o que a indústria perdeu até setembro. Nos demais destinos, China respondeu pela maior geração de dólares, com peso de quase 30% e alta de 4,5% na receita. Estados Unidos ficaram na segunda posição, mesmo com queda de 15,6%.

Fonte: Jornal do Comércio |

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.