Exportações do campo recuaram 9% em 2015

Pressionadas pela queda das cotações da maior parte das commodities agrícolas no mercado internacional, as exportações brasileiras do agronegócio encerraram o ano passado com retração de quase 9%, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura.

Em 2015, os embarques do setor renderam US$ 88,2 bilhões, recuo de 8,8% ante os US$ 96,7 bilhões registrados em 2014. Apesar desse desempenho, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destacou ontem que o agronegócio elevou a participação nas exportações totais do Brasil, de 29,2% no ano anterior para 31,2%.

Do lado das importações do setor, também houve queda, conforme o Ministério da Agricultura. No ano passado, as importações de produtos do agronegócio somaram US$ 13 bilhões, montante 21,3% menor que os US$ 16,6 bilhões de 2014. Com isso, o saldo comercial da balança do agronegócio caiu 6,4%, saindo de US$ 80,1 bilhões para R$ 75 bilhões em 2015, conforme o ministério.

"As exportações caíram 8% em valor, mas a queda foi bem menor que as dos outros setores e conseguimos, em tempos extremamente difíceis, um saldo de US$ 75 bilhões que contribuiu para o saldo total da balança brasileira, apesar da desaceleração da economia", ponderou ontem a secretária de relações internacionais do agronegócio do Ministério da Agricultura, Tatiana Palermo. "O câmbio amenizou a queda de preços", disse ela, durante a divulgação da balança do setor.

Principal produto da pauta exportadora brasileira – inclusive à frente de minério de ferro e petróleo -, o "complexo soja" (inclui grão, farelo e óleo) registrou queda de 11% na receita com as exportações no ano passado, para US$ 27,9 bilhões. Item mais exportado do complexo, a soja em grão teve queda de 9,8%, para US$ 20,9 bilhões em 2015. Em contrapartida, as exportações de óleo de soja aumentaram 2%, para US$ 1,1 bilhão.

Na área de carnes, também houve recuo nas exportações. Ao todo, a receita com as vendas externas de carnes somaram US$ 14,7 bilhões, diminuição de 15,5%. Por sua vez, as exportações de açúcar e etanol caíram 17,7%, para US$ 8,5 bilhões, enquanto que a receita com os embarques de café recuaram 7,6%, para US$ 6,1 bilhões, conforme os dados do Ministério da Agricultura.

Na contramão da maior parte das commodities, as exportações brasileiras de produtos florestais e cereais (basicamente, milho) cresceram em 2015. No ano passado os embarques produtos florestais renderam 3,8% mais que em 2014, alcançando US$ 10,3 bilhões. No caso dos cereais e fibras, a receita com as vendas externas aumentou 26,7% no ano passado, totalizando US$ 5,8 bilhões.

Em 2015, a China manteve-se no posto de principal cliente dos exportadores do agronegócio. Na verdade, a participação do país asiático nas compras de produtos do agronegócio brasileiro cresceu mesmo com a redução de 3,6% das exportações. De acordo com o ministério, a China representou 24,1% da receita obtida com as exportações do agronegócio brasileiro em 2015, ante 22,8% em 2014.

Para 2016, a expectativa do Ministério da Agricultura é de recuperação, com aumento de 2% na receita das exportações do agronegócio, projetou a secretária Tatiana Palermo. Se esse crescimento se confirmar, os embarques do setor renderiam US$ 89,9 bilhões.

"Esperamos também que em 2016 as exportações de carne bovina se recuperem, em volume, depois da reabertura de vários mercados como China e Arábia Saudita, e da ampliação de vendas para a Rússia, para onde já estamos vendendo mais de 50%", afirmou ela.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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