Exportações do agronegócio sobem 5,7% no terceiro trimestre

No acumulado do ano, no entanto, setor registra queda na receita, na comparação com o mesmo período de 2018

Resultados do fumo ajudaram no saldo positivo das exportações gaúchas no agronegócio no trimestre

Resultados do fumo ajudaram no saldo positivo das exportações gaúchas no agronegócio no trimestre | Foto: Bruno Pedry / Gazeta do Sul / CP Memória

Carnes, fumo e produtos florestais foram o destaque das exportações do agronegócio gaúcho no terceiro trimestre de 2019, enquanto que o principal produto exportado pelo setor, a soja, sofreu queda no período. Os dados fazem parte de levantamento divulgado ontem pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria do Planejamento, que passa a ser feito uma vez a cada três meses. Em valores, as exportações totais do agronegócio gaúcho ficaram em 3,156 bilhões de dólares no último trimestre, o que representa um incremento de 5,7% na comparação com igual período do ano passado. Porém, no acumulado do ano, houve queda de 7,8% na receita, que chegou a 8,369 bilhões de dólares.

A China, que segue sendo o maior comprador de produtos agropecuários do Estado (destino de 41,8% do total exportado de janeiro a setembro), exerceu influência em diversas cadeias produtivas. Segundo o economista Sérgio Leusin Jr, um dos responsáveis pelo estudo, o surto de peste suína africana fez com que o gigante asiático aumentasse as compras de carne, ao mesmo tempo em que a demanda pela soja – também utilizada na alimentação do rebanho – reduziu. A elevação das exportações de produtos florestais, sobretudo celulose (alta de 184% no trimestre), deve-se principalmente aos embarques para China e União Europeia. No caso do fumo, o aumento da produção gaúcha – 4,2%, segundo o IBGE – explica em parte o desempenho, porém foi a expressiva elevação da demanda chinesa, de 744% em valores, que chamou mais a atenção.

No segmento de carnes, a avicultura conta com a maior participação nas exportações, seguida pela suinocultura e, em terceiro, pela bovinocultura. Segundo Leusin Jr, o período destacou-se também por um aquecimento nos preços, em especial da carne suína, provocada pelo aumento da demanda no mercado internacional. A estimativa é de que os embarques permaneçam em alta no quarto trimestre, tendo em vista a recente habilitação de novos frigoríficos para exportação à China.

Número de empregos caem no trimestre

O DEE também apresentou os números relacionados ao emprego no agronegócio. No trimestre, houve queda de 9 mil vagas no Rio Grande do Sul, com um estoque de 320 mil empregos em setembro. O desempenho está relacionado à característica sazonal da atividade agropecuária. No acumulado do ano, o salo é positivo, de 647 postos de trabalho. De janeiro a setembro de 2018, porém, o saldo era maior, de 4,1 mil vagas.

O setor de máquinas agrícolas apresentou o maior salto em 2019, com mais de 1,1 mil empregos. Segundo o economista Rodrigo Feix, a tendência para o quarto trimestre é de estabilidade. O agronegócio é responsável por 20% da geração de empregos na indústria da transformação. "É uma participação expressiva e tem uma especial importância, dada a distribuição desse emprego no território. Não é tão concentrada na região Metropolitana, o que é importante para a dinâmica das economias regionais", observa Feix.

Fonte : Correio do Povo