Exportações além das commodities crescem no RS

Mercado para produtos diferenciados exige qualificação e gestão Thiago Copetti thiago.copetti@jornaldocomercio.com.br

Pequenos e médios produtores do Rio Grande do Sul estão ajudando a diversificar a pauta de exportações do agronegócio no Estado. Ir além das tradicionais commodities, como soja e carnes, e embarcar itens como mel, chás e frutas, por exemplo, também está em alta no agronegócio brasileiro e é uma das prioridades da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 2021. É fato que prospectar mercados internacionais para produtos diferenciados exige um bom trabalho de qualificação e gestão. Também é certo, no entanto, que exportar além das commodities tem sido recompen-sador. O projeto Agro.BR, coordenado pela CNA e já com adesão de diferentes produtores rurais no Estado, mostra números férteis de crescimento entre 2019 e 2020.

Um dos produtos que bem representa esse potencial é o mel. Em 2019, o Rio Grande do Sul embarcou 920 mil quilos do produto, e mais do que dobrou em 2020, com 1,91 milhão de quilos. As vendas foram principalmente para os Estados Unidos, seguido por Holanda, Canadá e Alemanha. A Cooperativa Apícola do Pampa Gaúcho (Cooapampa), de São Gabriel, por exemplo, atualmente exporta sua produção, mas a partir de Maringá (PR), principalmente, e parte por Santa Catarina e São Paulo, por questões logísticas e de certificação. Agora, a Cooapampa está investindo cerca de R$ 10 milhões para construir seu próprio entreposto e embarcar pelo Rio Grande do Sul, comemora o presidente Aldo dos Santos. "Ainda não estamos com nosso entreposto próprio habilitado com o SIF para poder exportar, mas a obra já está em fase avançada. O mel brasileiro tem excelente aceitação no exterior." A ideia da cooperativa agora é ingressar no mercado chinês, com apoio da CNA. Da produção de 1 mil toneladas, 50% é direcionado ao mercado interno e o excedente vai para fora do Brasil. Também de olho nas exportações, ainda pouco expressivas a partir do Rio Grande do Sul, estão produtores de noz-pe-cã, como Carlos Eduardo Scheibe, ex presidente do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan).

Hoje são 10 mil hectares com a fruta no Estado, com expansão de 1,5 mil hectare/ano, mas nem todos em produção ainda. E de olho em consumidores que buscam itens mais saudáveis na alimentação, como a riqueza de vitaminas da noz-pecã, diz Scheibe, os embarques ao exterior são um caminho natural, como a China. "Em uma missão brasileira recente para China conseguimos mandar uma mala cheia de noz-pecã para divulgar lá. E eles ficaram encantados. A China compra hoje 25% da produção mundial", explica o produtor.

O desafio é obter as certificações necessárias e ter produção em grande volume para o mercado asiático – que exige sempre embarques consideráveis. As portas internacionais para o produto já foram abertas nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo. Renan Hein dos Santos, analista de Relações Internacionais do Senar/RS, avalia que a busca por alimentação saudável ao redor do globo é um estímulo a essas exportações. "Temos boas opções com flores, mel, frutas e sucos, erva-mate como energético, entre outras. E o papel do programa Agro.BR, que tem um escritório no Estado, é organizar esses setores para isso. Exportar exige uma série de processos que precisam ser trabalhados", destaca Santos.

Na erva-mate, como foco nos chás e nas exportações, uma das empresas que também buscou o apoio da CNA para levar o produto para o exterior é a Inovamate, de Ilópolis, no Vale do Taquari. Amostras da produção beneficiada já foram para Portugal e Estados Unidos. "Ainda estamos apresentando produto e envios de amostras, mas a expectativa é grande ainda para este ano. O Estado exporta a erva–mate no formato commodity, para chimarrão. Nós estamos focando em beneficiamento e mais valor agregado", explica Ariana Maia, sócia–proprietária da empresa.

Fonte: Jornal do Comércio

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