Exportadores querem novos mercados

Maior exportador global de carne de frango, com 34% do comércio mundial, o Brasil precisa ampliar o acesso a mercados hoje pouco acessíveis se quiser aproveitar o aumento da demanda por frango nos próximos anos. Essa é uma das conclusões de debate realizado ontem no Salão Internacional de Aves e Suínos (Siavs) entre os CEOs da JBS, Wesley Batista, da BRF, Pedro Faria, e da catarinense Aurora, Mário Lanznaster.

"Ao contrário do que ocorreu nos últimos anos, o crescimento [de demanda por frango] vai acontecer em países em que o Brasil não tem acesso", afirmou Faria, citando países como a Índia, que tem barreira tarifária contra o frango brasileira, e a Indonésia.

Para Wesley Batista, da JBS, a falta de acesso a mercados é algo que vai além do mercado de frango. "O acesso a mercados é chave, mas o Brasil tem pouco acesso em todas as proteínas", disse, reconhecendo que, em 2015, o governo brasileiro avançou na questão, com a abertura do mercado dos EUA para a carne bovina in natura do Brasil e a reabertura do mercado da China.

Em relação ao mercado de frango, uma das alternativas para "driblar" a restrição de mercados é produzir em outros países. Nesse sentido, o CEO da BRF reafirmou ontem a intenção de firmar uma parceira (joint venture) com um sócio local na Indonésia, com o intuito de explorar o mercado local de carne de frango. "Estamos há mais de três anos com perspectivas de montar associação com grande parceiro local", disse o executivo. Para Faria, se a BRF ficar restrita à produção no Brasil, só terá acesso a 10% do mercado global de frango.

Em que pese os desafios comerciais no longo prazo, o CEO da JBS defendeu a vocação do país para a produção de carnes, favorecido pela disponibilidade de grãos e água. No curto prazo, porém, Batista se mostrou mais pessimista com a economia brasileira. Após o debate, o empresário avaliou que o país está indo "num caminho de piora". Ele lamentou, ainda, a revisão para negativa da perspectiva para o rating brasileiro feita pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) "Isso não é positivo", afirmou Batista.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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