EXPOLEITE | A caminho de Esteio

Assim como na edição passada, feira gaúcha do setor lácteo começa sob impacto da Operação Leite Compen$ado e das prisões feitas na última semana no Vale do Taquari

Thiago Copetti
O foco deveria ser estimulo à venda de mais animais e novas atrações, mas a 37ª Expoleite e 10ª Fenasul começam, assim como há um ano, digerindo o sabor azedo de uma nova operação Leite Compen$ado – com foco na fraude que deixa, além do consumidor, o produtor de leite indignado. No ano passado, poucos dias antes do evento, o Ministério Público havia desencadeado a primeira operação contra adulterações no produto, uma ação com sequência registrada até a semana passada, desta vez envolvendo duas empresas do Vale do Taquari.
Na abertura dos portões hoje, em Esteio, para a chegada dos animais e, na quarta, para o público, o tema da adulteração também ingressa no parque Assis Brasil e nas rodas de conversa. A Operação Leite Compen$ado não é abordada na programação oficial – o que não significa que seja ignorada. A forma como o assunto circula entre os produtores é descrita pelo presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), o médico Marcos Tang:
– Da mesma forma que fica o consumidor quando descobre que toma um produto adulterado, nós também nos indignamos ao saber que isso ainda ocorre. A cada nova operação do MP, recebo ligações de criadores questionando como isso continua. O agricultor tem uma relação afetiva com o produto e sente que o leite gaúcho está sendo maculado por um bando de irresponsáveis, que deve ser punidos.
Até mesmo para quem serve como modelo de trabalho a outros produtores as operações têm algum tipo de reflexo. Sócia-proprietária do laticínio Sans Souci, em Eldorado do Sul, e frequentadora da feira, Sigrid Pesenatto conta que chegou a receber ligações de clientes querendo saber a marca do leite UHT que usava no preparo dos iogurtes.
– O consumidor não tem muita ideia de como são os processos de fabricação do que consome. Nós, por exemplo, compramos de um único fornecedor, um reconhecido criador, e nós mesmos somos os responsáveis pelo transporte. Temos um produto diferenciado, não usaríamos leite de caixinha – conta Sigrid.
Fora da programação oficial e direcionadas a produtores e agroindústrias, haverá ações como a da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios (Apil). A entidade pretende distribuir, durante a feira, um guia com práticas que ajudam a qualificar processos e a evitar problemas na industrialização.
– Para o laticínio de pequeno porte, qualquer problema pode determinar a quebra do negócio e a perda da produção – diz Alexandre Rota, secretário executivo da entidade.
thiago.copetti@zerohora.com.br

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Fonte: Zero Hora

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