EXPOINTER – Vendas na Expointer chegam a R$ 2,7 bilhões, alta de 17,37%

Setor de máquinas cresceu 11,4% e agricultura familiar bateu novo recorde, mas comercialização de animais reduziu 17,78%

Sorrisos largos nos rostos e aplausos que interrompiam discursos a todo momento na coletiva de encerramento da 42ª Expointer deram o tom de celebração pelos números alcançados. A feira fechou seus nove dias com alta nominal de 17,37% nos negócios em relação ao ano passado, que atingiram volume total de R$ 2.699.868.739,57. O resultado praticamente repete 2014, que chegou a R$ 2,72 bilhões, mas sem considerar a inflação do período.

– A economia do Rio Grande do Sul expressa na Expointer toda a sua força e vibração. Tudo isso nos dá confiança para a retomada, sobre o que vamos colher ali na frente – comemorou o governador Eduardo Leite.

Como de praxe, a participação do setor de máquinas e implementos agrícolas foi decisiva: correspondeu a R$ 2,5 bilhões, superando os R$ 2,2 bilhões do ano passado em 11,43%. Os financiamentos de bancos públicos e privados somaram R$ 2,04 bilhões, ao passo que as compras à vista e financiadas pela própria indústria chegaram a R$ 504 milhões.

– A régua para medir este ano já era alta, e conseguimos ter aumento – observou Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers).

O otimismo é tanto que o Simers cobrou mais espaço para o segmento no ano que vem, revelando que muitas marcas não conseguiram trazer todos os lançamentos para expor na feira.

Uma novidade foi a inclusão do setor automobilístico na conta geral de resultados da feira, com vendas de R$ 139,5 milhões, impulsionadas pelos dias sem chuva e facilidades ao consumidor por reunir várias marcas em um só local.

O melhor desempenho percentual, entretanto, coube ao pavilhão da agricultura familiar, cujas vendas de produtos alimentícios superaram em 13,51% as de 2018, chegando a R$ 4,5 milhões – meio milhão a mais que a marca anterior.

– É sem dúvida um momento festivo depois de nove dias de apreensão e trabalho – desabafou Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado (Fetag-RS).

Leilões

A frustração ficou por conta do saldo de vendas de animais, que amargou sua quarta queda consecutiva, deixando o patamar dos dois dígitos mantido até o ano passado. Em 2019, o volume total de comercialização de bovinos, equinos e outros foi de R$ 8,4 milhões, redução de 17,78% em relação ao dado anterior.

Dois fatores contribuíram para o resultado negativo: a não realização da feira de novilhas e ventres da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), que acabou cancelada após a inspetoria sanitária encontrar problemas de parasitas e carrapatos em uma centena de exemplares que seriam oferecidos. No ano passado, o remate arrecadou mais de R$ 500 mil.

– Neste ano, calculo que poderíamos chegar a R$ 1 milhão – sugeriu o presidente da entidade, Gedeão Pereira.

Outra perda do setor se deu em razão da baixa comercialização de sêmen e embriões que, segundo Leonardo Lamachia, presidente da Federação Brasileira de Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), ocorre pela facilidade de venda pela internet. Enquanto em 2018 esse número chegou a R$ 2,1 milhões, neste ano não alcançou R$ 500 mil. A entidade busca saídas para o segmento, cujo DNA está na origem da feira, que quando criada, em 1901, era uma exposição de animais.

– Ano a ano tem havido quedas nos números de leilões de animais porque a estrutura é muito cara. Estamos liderando um movimento para retomar leilões físicos dentro do parque, propondo inclusive compartilhamento de espaço e custos entre as associações de raça – sugere.

Especial

NAIRA HOFMEISTER

Fonte: Zero Hora