EXPOINTER – Sem público, mas com barro e raça

A final do 39º Freio de Ouro foi realizada sem público e com barro na tarde de ontem no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Em razão da pandemia de coronavírus, pela primeira vez, os fãs da principal competição de raça de cavalos crioulos na América do Sul não puderam acompanhar as provas das arquibancadas, na Expointer. Mas quem assistiu ao vivo pela internet pôde vibrar com a vitória de um cavalo de cabanha uruguaia e da égua de um criatório de Santa Cruz do Sul.

Com ginete brasileiro, Colibri Matrero liderou ao longo de todo o domingo. O cavalo já tinha um nome conhecido: fora campeão do Freio de Ouro Ficcc em 2018, conhecido como a "Copa do Mundo" do cavalo crioulo.

O jurado Lauro Martins destaca que o animal veio defender esse título e acabou superando as expectativas. Ele afirma que a velocidade é a característica que mais impressiona. O expositor de Colibri Matrero, Juan Salustiano Peirano, da Cabaña La Pacifica, acrescenta, meio em português, meio em espanhol:

– É um cavalo que nasceu bom, se domou bem e foi crescendo até chegar aqui.

Brasileiro, o ginete de Colibri levantou a bandeira uruguaia logo que alcançou a pontuação total de 22,217 e garantiu a vitória.

– O Uruguai em peso me mandou mensagem. Sei que estão muito contentes hoje, e eu me sinto metade uruguaio – destacou Gabriel Marty.

Protocolos

Entre as fêmeas, Balisa III do Itapororó levou a melhor. Diferentemente de Colibri, a égua largou em sexto e acabou avançando na tabela ao longo do domingo. Em junho, havia ganhado o Bocal de Ouro, uma das provas classificatórias do Freio, disputada apenas entre competidores inéditos. A égua também já tinha sido terceira Melhor Fêmea na Morfologia da Expointer em 2017. E é esse um dos diferenciais apontados pelo jurado Mário Suñé:

– Ela foi a mais pontuada na morfologia. Acabou não tendo um desempenho destacado na sequência, na andadura, mas cresceu barbaramente após. Manteve um desempenho uniforme no quesito com gado.

A expositora Rosalie Negrini Jones ressalta outra qualidade:

– Ela é muito meiga e fácil de lidar. Uma égua especial.

Freio de Ouro com Balisa III do Itapororó, o ginete Fabio Teixeira da Silveira também levou o Freio de Prata com Divindad 42 Nombrado na categoria fêmea e o mesmo prêmio com Fantástico de São Pedro na categoria macho. Ele admitiu que "nem nos melhores sonhos imaginou isso".

– Só de estar em uma final do Freio é uma vitória para a gente, que trabalha, que vive disso. E, quando dá certo, de conseguir ganhar, é inexplicável a emoção – acrescentou.

Ao todo, 14 machos e 14 fêmeas garantiram vaga na final disputa. A primeira prova, de mangueira, se iniciou às 13h. Em uma mangueira de 16 por nove metros, o ginete precisa manter apartado um novilho durante 30 segundos e, em seguida, realiza duas pechadas em um novilho. A tarde ainda teve provas de Bayard/Sarmento (realização de percurso predeterminado, em linha reta, onde deverão ser executadas esbarradas, atropeladas, voltas sobre pata e recuada) e Campo (duas paleteadas, com retomada e recondução do novilho).

Além de restringir o acesso nas arquibancadas às equipes – a grande final era a prova de maior público na Expointer -, a pandemia motivou medidas de proteção. Ao longo das classificatórias, foram feitos mais de 500 testes de covid-19. Francisco Fleck, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), comemora:

– Conseguimos realizar a final nesse ano complicado, e acho que fomos felizes de conseguir criar esse protocolo.

jessica.weber@zerohora.com.br

JÉSSICA WEBER

Fonte : Zero Hora

Compartilhe!