Expointer recebe primeiros animais com expectativa de retomada da pecuária

Ovinos da Fronteira foram os primeiros a ingressar no parque

Ovinos da Fronteira foram os primeiros a ingressar no parque

CRISTINE PIRES/ESPECIAL/JC

Cristine Pires

Se o ânimo dos primeiros criadores a chegarem no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, se refletir em negócios, a 42ª Expointer deve confirmar a retomada de um bom momento para a pecuária. “Estamos confiantes na recuperação da ovinocultura, e temos as melhores expectativas para a feira”, disse, animado, o cabanheiro Cleber Martins, o primeiro a cruzar os portões, às 6h da manhã desta segunda, com 15 ovinos das raças Texel, Corriedale, Merino Australiano e Hampshire provenientes das cabanhas Oliveira e Floresta, de Uruguaiana; Infantada, de Santo Antônio das Missões; e Letícia, de Barra do Quaraí.

A preocupação em começar a adaptação dos animais o quanto antes faz com que este seja o sexto ano seguido da Cabanha Oliveira na pole position no portão 8 da avenida Celina Kroeff, que dá acesso ao parque. Apesar da experiência da participação, Martins explica que esta é a primeira vez desses exemplares na feira, o que requer cuidados especiais. “Depois de toda distância percorrida até aqui, é preciso que as ovelhas se recuperem. Isso evita o estresse e facilita a adaptação”, afirma. Também foi a quilometragem extensa que fez o cabanheiro Cadu Alternhofen deixar a Estância Vendramin e encarar 13 horas de viagem entre Palmeira (PR) e Esteio. Presente na Expointer desde 2006, a Vendramin trouxe 14 cavalos crioulos, 12 deles inscritos para as provas de morfologia. “Temos o maior número de participantes nesta modalidade”, orgulha-se Alternhofen, que também terá um casal concorrendo ao Freio do Ouro, título que já conquistou sete vezes.

Em 13 anos de participação, a Estância Anjo da Guarda, de Uruguaiana, competirá com 19 exemplares das raças Braford, Hereford e Angus. A principal dificuldade no transporte dos grandes animais, segundo o cabanheiro Fabrício Santos da Silva, foi a má condição das estradas. Além de optar por chegar nas primeiras horas de abertura dos portões para que os bovinos possam se ambientar em um novo local, a Anjo da Guarda costuma tomar medidas na própria estância para garantir o bem-estar de seus representantes durante os nove dias da mostra. “Na doma, costumamos trabalhar com música e também com movimento de pessoas para que eles estranhem o mínimo possível”, conta Silva.

Embora os portões abram ao público somente no próximo sábado, dia 24, e fiquem abertos até o dia 1 de setembro para visitação, a entrada das grandes estrelas da Expointer marca o início dos trabalhos. “A Expointer começa de fato ao receber os animais”, reforça o secretário da Agricultura, Covatti Filho, que representou o governador Eduardo Leite no evento de recepção, impedido de comparecer em função de compromissos de última hora. Para o secretário, a autoestima dos expositores é um forte indicativo de uma boa edição. “Queremos superar os números da edição anterior”, destaca. Neste ano, a mostra agropecuária contará com 3.975 animais de argola e 2,5 mil rústicos.

Para o coordenador da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, a genética de qualidade deve ser um dos grandes destaques da Expointer. “A pecuária sai de uma crise momentânea e volta a ter boas perspectivas e um momento de ascensão”, acredita o dirigente, que também está confiante na recuperação da ovinocultura. “Além da valorização da carne, temos boas perspectivas para a lã”, completa Leonardo Lamachia, presidente da Federação Brasileira das de Criadores de Animais de Raça (Febrac). Segundo ele, o processo de retomada da ovinocultura é lento, mas considera fundamental que esteja acontecendo. “O Rio Grande do Sul já teve o maior rebanho ovino do Brasil e aposta no processo de retomada”, afirma.

Sanidade e bem-estar animal estão entre as preocupações

Chegada dos primeiros animais para a 42° Expointer, em Esteio

Chegada dos primeiros animais para a 42° Expointer, em Esteio
CRISTINE PIRES/ESPECIAL/JC

A recepção dos primeiros expositores a chegarem na Expointer 2019 foi regada a café de cambona, também conhecido por café de tropeiro, oferecido pela prefeitura de São Nicolau. Já os animais eram recebidos pelo serviço veterinário oficial do governo do Estado. Anna Suñe, fiscal agropecuária, foi a responsável pela inspeção dos ovinos da Cabanha Oliveira, primeiros a chegar no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

“Além da análise dos documentos e das guias de transporte, conferimos os laudos e aspectos sanitários, para evitar a presença de qualquer tipo de ectoparasitas (parasitas que se instalam no lado externo do corpo)”, explica, ao destacar que a exigência de status sanitário perfeito é fundamental principalmente pelo local reunir diversas espécies provenientes dos mais diferentes lugares. “Além disso, como a intenção do Estado é se tornar zona livre de febre aftosa, sem vacinação, vai tornar a fiscalização ainda mais rigorosa”, reforça Lisandra Dornelles, presidente do Conselho de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS).

Os exames específicos para cada espécie estão sob responsabilidade de mais de 100 profissionais para a feira, entre médicos veterinários e quadro técnico. “As equipes trabalham para que se tenha uma edição excepcional não só no quesito sanidade, mas também no aspecto de bem-estar animal”, diz. Para Leonardo Pasqual, prefeito da cidade anfitriã de Esteio, o evento de recepção para a chegada dos animais representa também a valorização da Expointer, que possibilita o encontro do campo com a cidade.

Fonte : Jornal do Comércio