EXPOINTER: Ovinocultura ganha um novo fôlego

Pela primeira vez em mais de 15 anos, o rebanho ovino gaúcho superou os 4 milhões de animais. Os dados baseiam-se nas declarações do produtor à Secretaria da Agricultura e espelham uma realidade verificada nos campos a partir de 2011: os esforços públicos e privados para impulsionar a ovinocultura, que experimenta um alto astral nas últimas três exposições em Esteio. Até 2012, o volume nos campos gaúchos não passarão da barreira dos 3,6 milhões de exemplares. O salto do setor foi possível com o programa estadual de fomento Mais Ovinos no Campo, se fortaleceu com crédito subsidiado do governo federal e, recentemente, ganhou novo impulso com a constituição do Fundovinos. Com o repasse de R$ 1,1 milhão a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) tocará cinco projetos que fazem parte do Programa de Desenvolvimento da Ovinocultura Gaúcha. Dentre os desafios estão organizar o mercado da carne de cordeiro e integrar a cadeia de lãs finas, agregando valor por meio da certificação.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Paulo Schwab, são todos fatores que se somam ao bom momento comercial a exemplo da Expointer passada, quando as raças venderam 197 animais por R$ 841,4 mil. Para o executivo, a tendência é de, pelo menos, manutenção desta venda. ‘Os produtores que hoje estão aumentando o rebanho também precisam reforçar seus investimento em genética, que é o principal produto em Esteio.’

O leiloeiro Eduardo Knorr reforça o ambiente favorável aos negócios na feira, respaldado pelo crédito e por programas de fomento. Para ele, mais uma vez, raças de carne como a Texel e de duplo propósito devem puxar o faturamento. Knorr acrescenta que, apesar da venda da ovinocultura se concentrar no verão, quando ocorre o período de encarneiramento, a Expointer é o momento de venda de genética a criatórios de outros estados como Paraná, Santa Catarina e São Paulo. O tesoureiro da Brastexel, Luiz Fernando Nunes, corrobora o cenário positivo com indicativos. Segundo o criador, remates recentes no Rio Grande do Sul apresentaram liquidez e bons preços. Para fêmeas PO carne, por exemplo, a média girou ao redor de R$ 3,4 mil. Na edição anterior, a raça comercializou 74 animais por R$ 497,86 mil.

Apesar do cenário favorável no país, prosseguem preocupação com as constantes oscilações de preço de animais para abate e problemas crônicos a resolver já que a ambição é elevar o consumo nacional. No Brasil, são 400 gramas/habitante/ano frente a almejados 2,5 quilos. Sem escala, o país prossegue importando. Para chegar a um rebanho nacional de 50 milhões de cabeças (hoje o país tem 17 milhões) seria preciso elevar a produtividade frente aos 60% de nascimento. ‘O que nos falta é que o produtor faça o dever de casa, desenvolva um programa dentro da fazenda para estender a tecnologia e mão de obra do criatório para o rebanho geral e que haja a reestruturação da extensão rural’, pondera Schwab.

Fonte: Correio do Povo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *