EXPOINTER – A importância de julgar os animais

Provas são mantidas na feira e permitem que os criadores completem ciclo produtivo e impulsionem os seus negócios

A manutenção dos julgamentos de animais de raça na programação da Expointer Digital, em Esteio, está permitindo que criadores de bovinos, equinos e ovinos deem continuidade aos ciclos de avaliação e identifiquem os exemplares de maior destaque nesta temporada. A definição dos campeões, reconhecidos com as tão desejadas rosetas, segue até domingo, no parque de Exposições Assis Brasil, e serve também para alavancar os negócios entre as cabanhas.

Neste ano, a exposição tem 16 raças participando – oito de ovinos, cinco de bovinos (quatro de corte e uma de leite) e três de equinos. Destas, 13 variedades são julgadas em Esteio. Ao todo, foram 1.017 animais de argola inscritos. O volume chega a um quarto das feiras anteriores, quando mais de 4 mil exemplares de aproximadamente 60 raças costumavam vir a Esteio. Por causa da pandemia, o movimento no parque está restrito aos criadores e profissionais envolvidos nas provas.

Monitoramento

O diretor de feiras e exposições da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Nathã Carvalho, enfatiza que os julgamentos servem para monitorar se a criação e a seleção em cada raça estão indo na direção esperada pelos criadores. Além disso, as premiações acabam valorizando os animais e fomentam negócios entre os criatórios.

– Os julgamentos são importantes para avaliar as características que se busca dentro de cada raça e a aptidão dos animais, como a produção de carne, leite ou lã. No caso dos equinos, indicam a funcionalidade, se o animal é mais voltado para o trabalho ou para o lazer – exemplifica Carvalho.

Em plena temporada dos remates de primavera, a exposição de bovinos em Esteio foi esvaziada. Algumas das principais raças de corte não participam do evento e, das quatro variedades presentes, apenas duas têm julgamento. Com isso, no gado, a maior participação neste ano é a da raça holandesa, única representante da pecuária de leite, com cerca de 60 exemplares.

– Se você tem uma campeã na Expointer, isso vai para toda a futura geração dela. Eu tenho uma vaca que ganhou e, no ano que vem, os registros das terneiras vão mencionar que ela é filha de uma campeã em Esteio – aponta Marcos Tang, presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando).

Tang salienta que uma vaca que abocanha o título de grande campeã pode ter seu preço até dobrado, após a premiação.

Conhecer os campeões do ano ajuda a dar prosseguimento ao trabalho de melhoria genética das raças, na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edemundo Gressler. Neste ano, os ovinos dominam os julgamentos, sendo responsáveis por oito das 13 raças em avaliação, e o total de animais é em torno de 200.

– Algumas associações (de criadores) decidiram participar por entenderem que era necessário completar o seu ano produtivo. A Expointer proporciona que as cabanhas mostrem a genética e o trabalho que é feito – aponta Gressler.

Mesmo com redução generalizada no número de animais inscritos, algumas raças conseguiram ampliar a presença neste ano. É o caso do cavalo crioulo, que está com cerca de 250 animais em Esteio. No ano passado, eram 230. A programação enxuta da feira deste ano permitiu que mais animais ficassem alojados em 2020.

O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Francisco Fleck, enfatiza que a preparação para a Expointer mobiliza toda a cadeia produtiva com, pelo menos, um ano de antecedência.

– Neste ano, mantivemos apenas as provas de seleção de raça. O Freio de Ouro e a morfologia fazem com que a raça progrida, por isso são importantes. Os cavalos menores, potrancos e potrancas, já viram adultos no próximo ano e, assim, poderia se perder uma geração – Fleck.

O dirigente ainda aponta que um cavalo campeão na Expointer pode ter seu valor de mercado aumentado em até 10 vezes.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES

Fonte : Zero Hora

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