EXPOINTER 2017 – AGRONEGÓCIOS – Queda nos animais não surpreende, diz Farsul

Carlos Sperotto (c) criticou a disparidade na questão das cotas de rebanhos no Mercosul

Carlos Sperotto (c) criticou a disparidade na questão das cotas de rebanhos no Mercosul

FREDY VIEIRA/FREDY VIEIRA/JC

Ana Esteves

A queda de quase 10% na comercialização de animais, dos R$ 11,77 milhões de 2016 para R$ 10,61 milhões, nesta edição da Expointer, não foi considerada surpresa pelos dirigentes da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Em entrevista coletiva de balanço da feira, o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, disse que a redução já era prevista, em função da queda no preço do boi gordo, que no ano passado estava em R$ 5,50 o quilo e que hoje é de R$ 4,60. "Quem baliza tudo é o preço do boi, por isso, não foi surpresa", destacou Sperotto.

O diretor administrativo da Farsul, Francisco Schardong, disse que, pelo cenário desfavorável, era esperada uma queda ainda mais acentuada nas vendas. "A Feira de Novilhas da Farsul também teve redução nas vendas, caindo de R$ 990 mil, em 2016, para R$ 743 mil. Apesar disso, a qualidade dos animais foi acima do esperado." O dirigente diz que apesar de o preço da carne estar reagindo, os baixos valores de comercialização também devem se repetir dos remates de primavera. "O cenário geral não é bom, mas acreditamos que, neste segundo semestre, os preços do boi vão subir", disse Schardong.

O presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Eduardo Finco, disse que o valor de comercialização é balizador, mas não é principal. "No contexto geral, o preço médio dos animais continua crescendo, em função da qualidade do rebanho gaúcho. Contabilizamos, neste ano um aumento de 50% na valorização dos animais", observou.

Quando à comercialização de máquinas e implementos, Sperotto afirma que os produtores estão fazendo os investimentos essenciais, sem deixar de atualizar seu parque de máquinas para não ficar distante no tempo e com perdas. "O produtor é um homem consciente. Ele hoje não compra mais por impulso, porque os outros estão comprando. Ele já passou dessa fase. Além disso, muitos já renovaram seu parque de máquinas há pouco tempo, para evitar perdas e não têm necessidade de comprar."

O vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, destacou as reuniões realizadas durante a Expointer como a que discutiu a criação de uma nova cota para exportação de carne de bovinos brasileiros para a Europa. "Ainda não temos definida a cota em si, mas elas já foram apresentadas, estão em negociação através do Fórum Mercosul da Carne." Para Sperotto, a alteração das cotas é um jogo de rebanhos, pois o Uruguai e a Argentina tinham comercialização bem mais intensiva com a União Europeia e por isso tinham uma cota diferencial. "O Uruguai tem 13 milhões de cabeças de gado e o Brasil tem 207 milhões, então, eles não deveriam ter cota similar a dos brasileiros", disse.

Pereira também destacou o encontro entre a Farsul e a Comissão de Pecuária de Corte da CNA para discutir as saídas para ter qualidade de carne no Brasil para atender o mercado gourmet. "Nossa ideia é levar exemplares de raças britânicas para o Centro-Norte do País e cruzá-las com Nelore. Assim teremos qualidade e volume para atingir mercados internacionais."

O presidente Sperotto citou a reunião realizada entre a Farsul e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que resultou na alteração do Zoneamento Agrícola de Risco Climático das lavouras de soja do Estado. "Ele apresentava incompatibilidades com as práticas agronômicas recomendadas para a realidade do Estado e precisava ser corrigido. E foi, através da Portaria 197 do Ministério da Agricultura (Mapa) publicada em 1 de setembro", disse Sperotto.

Criadores entregam reivindicações ao governo gaúcho com o objetivo de qualificar a Expointer

Os pecuaristas gaúchos entregaram, ontem, ao governador do Estado, José Ivo Sartori, a Carta de Esteio, um documento com uma série de reivindicações, com o objetivo de qualificar a Expointer e manter o foco da exposição nos animais. O presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Eduardo Finco, afirma que o objetivo não é confrontar, mas compilar os pleitos de "quem realmente faz a Expointer acontecer".

Na carta, os criadores pedem que a organização das exposições tenha como foco a apresentação e valorização dos animais presentes. No documento, os criadores argumentam que as inscrições de exemplares para a Expointer vêm caindo paulatinamente, em função dos altos custos de transporte e manutenção dos animais no parque, investimento que os produtores realizam com recursos próprios sem qualquer tipo de subsídio. "Viemos a público solicitar que se crie um programa de fomento aos criadores de animais de raça com o objetivo de estimular uma participação subsidiada na Expointer 2018."

O documento também solicita uma revisão na utilização dos portões de acesso durante a Expointer. Os criadores pleiteiam prioridade no uso do Portão 5, uma vez que este facilita acesso aos pavilhões dos animais. A Febrac também reivindica prioridade em relação ao uso de espaços fixos de propriedade do governo do Estado no Parque de Exposições Assis Brasil. Além disso, pede que seja feita uma reforma nas baias, o uso de exaustores para dar maior conforto aos exemplares expostos e mais atenção aos alojamentos destinados aos peões, pistas de julgamento e remates dos animais", diz Finco.

Após receber o documento, durante a entrevista coletiva de apresentação do balanço final da feira, Sartori afirmou para o presidente da Febrac que o governo estadual pretende executar melhorias no parque, mas não comentou sobre as demandas específicas apresentadas pela entidade representativa dos criadores.

Fonte : Jornal do Comércio

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