Expodireto-Cotrijal quer vencer oferta reduzida de crédito

Principal feira de tecnologia agrícola do Rio Grande do Sul começa nesta segunda-feira em Não-Me-Toque, impulsionada pela boa safra

Expodireto-Cotrijal quer vencer oferta reduzida de crédito Diogo Zanatta/Especial

Máquinas agrícolas são o carro-chefe do faturamento da Expodireto-CotrijalFoto: Diogo Zanatta / Especial

Com crédito agrícola reduzido no mercado, a 17ª Expodireto-Cotrijal começa nesta-segunda-feira com o desafio de não deixar os negócios encaminhados ficarem no papel por falta de dinheiro para financiamento. O bom momento do agronegócio gaúcho, graças à expectativa de uma nova safra cheia e pelo aumento do preço dos grãos, é a aposta para estimular os produtores a investirem em novas tecnologias — mesmo em um período em que o país enfrenta a pior recessão em 25 anos.

Em 2015, a feira realizada em Não-Me-Toque, no norte do Estado, movimentou R$ 2,18 bilhões e recebeu 230 mil visitantes. Mesmo com juro maior agora, a projeção é de que os negócios sejam motivados pela rentabilidade das lavouras de verão, especialmente de soja e milho.

— Os produtores estão capitalizados, e as principais inovações do setor serão apresentadas aqui — destaca Nei César Mânica, presidente da Expodireto-Cotrijal.

Para os negócios se realizarem, porém, é preciso ter disponibilidade de crédito. Hoje, a principal linha de financiamento, com juro fixo, é o Moderfrota.

— O dinheiro disponível é insuficiente. É preciso uma injeção de recursos para garantir que as vendas ocorram de fato — aponta Claudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias e Implementos Agrícolas (Simers).

Para não depender apenas da liberação de crédito de instituições públicas, com freio de mão puxado devido à crise, grandes montadoras ampliaram a participação de bancos de fábricas nos negócios.

— Os bancos públicos recuaram nas operações, com restrições maiores desde o ano passado — destaca Toni Ferrarin, diretor presidente da Agrofel Máquinas, concessionária da New Holland.

Na empresa, as operações pelo banco próprio da montadora representaram 60% dos negócios em 2015, ante 40% no ano anterior. O mesmo percentual de crescimento foi percebido na Augustin, revenda de máquinas da marca Massey Ferguson.

— A fonte de recurso é a mesma, do BNDES. Mas a maior proximidade com o cliente muitas vezes torna os bancos de fábricas mais atrativos — destaca Paulo Finger, sócio-diretor da Augustin.

Para facilitar o processo, a Lavoro, revenda da John Deere, oferece limites de crédito pré-aprovados para financiamento no banco de fábrica.

— É uma alternativa a mais para o produtor, por vezes mais cômoda e rápida — aponta Jaques Hickmann, gerente de vendas e marketing da Lavoro, revenda que aumentou em oito pontos percentuais os negócios nessa modalidade no ano passado, chegando a 30%.

Fonte: Zero Hora

Por: Joana Colussi, de Não-Me-Toque

06/03/2016 – 22h55min

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