EXPODIRETO-COTRIJAL – Ainda sem medidas contra a estiagem

Falta de anúncios de Tereza Cristina durante cermônia frustrou expectativas, e Leite pediu "melhor atenção" da ministra

Com cerimônia marcada por discursos políticos e sem anúncio de medidas para atenuar os efeitos da estiagem no Rio Grande do Sul, a 21ª edição da Expodireto-Cotrijal foi oficialmente aberta ao público na manhã de ontem, em Não­- Me-Toque, no norte do Estado. O evento voltado ao agronegócio segue até sexta-feira.

Antes do início da cerimônia, havia expectativa de que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciasse algumas medidas federais para atenuar os efeitos da estiagem no Estado, atendendo reivindicações encaminhadas por entidades do agronegócio em janeiro. No entanto, isso não ocorreu.

Em sua manifestação, a ministra salientou a importância de o Senado aprovar a Medida Provisória 897, a chamada MP do Agro, que caducará nos próximos dias.

– A MP marcará uma nova página na história do crédito agrícola brasileiro. Teremos capacidade de triplicar, quadruplicar, o que captamos hoje – projetou.

O presidente da Cotrijal e da Expodireto, Nei César Manica, aproveitou a ocasião para solicitar à ministra melhores condições de financiamento. O dirigente enfatizou que o recente movimento de queda da taxa básica de juro, a Selic, a 4,25% ao ano, ainda não chegou até o produtor.

– Precisamos que essa queda dos juros chegue ao agronegócio. Se conseguirmos isso, conseguiremos oxigenar a economia – afirmou.

Representando o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, aproveitou seu discurso para criticar os governos petistas e fez um discurso inflamado em defesa do presidente. Onyx mencionou que existe uma "extrema imprensa que precisa ser enfrentada".

Governador

Um dos últimos a discursar, o governador Eduardo Leite mencionou que a implementação de sistemas de irrigação poderá ser facilitada com o novo código ambiental, atenuando impactos da estiagem em safras futuras. Também reforçou pedido para que o governo federal prorrogue prazos dos financiamentos de produtores afetados pela estiagem no Estado.

– Sabemos que o tema é complexo, mas está merecendo melhor atenção da ministra (Tereza Cristina),e do Ministério da Economia – afirmou Leite.

A medida contemplaria os empréstimos voltados a custeio e investimentos nas lavouras afetadas pelo excesso de calor e falta de chuva, que atingiram em cheio culturas como milho e soja. No momento, a demanda é discutida entre os ministérios da Agricultura e da Economia. Leite disse esperar que as pastas encontrem uma solução para que se possa dar esse conforto a quem produziu e vai ter a safra frustrada.

Tereza Cristina ouviu novo apelo de dirigentes do setor pela prorrogação dos prazos de financiamentos. A falta de anúncio de medidas federais causou frustração em algumas lideranças do setor primário.

– Qual é o anúncio que veio para a estiagem? Não basta dizer que produtor é importante, tem de trazer medidas para o agricultor – criticou Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag, uma das entidades que assinaram a pauta de solicitações em janeiro.

A ministra da Agricultura destacou que a pasta está analisando o tema. Ela ainda mencionou que a pasta encaminhou cartas a instituições financeiras para dar início a um processo de renegociação de financiamentos, seguindo ao manual de crédito rural.

Outro pleito dos produtores encaminhado pela ministra foi a redução dos juros do Plano Safra.

– Temos de lembrar que os juros já caíram. No passado estavam em 14%, 12%. Hoje estão em torno de 7% e 8%. Agora, a economia continuando saudável em todos os indicadores, os juros devem cair – destacou.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES

Fonte : Zero Hora

Compartilhe!